O projeto Novembro Azul, do programa Dia a Dia News, com foco na saúde do homem, nesta segunda-feira (17), fez um alerta sobre como a falta de atividade física é um fator preocupante e pode levar ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
O cardiologista Dr. Cláudio Rocha, em entrevista ao Dia a Dia News, explicou quais são as doenças cardiovasculares mais comuns e destacou a importância do Novembro Azul para a saúde masculina de modo geral.

“As doenças cardiovasculares são as principais causas de óbito. O Novembro Azul foi originalmente criado para a conscientização sobre a saúde da próstata, mas é fundamental também ressaltar as principais patologias cardiovasculares que causam morte em homens. As principais causas de morte cardiovascular são o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC). No entanto, infarto e AVC são, na verdade, consequências de outras condições. A hipertensão é a principal delas, afetando mais de 60% a 70% das pessoas com mais de 65 anos”, disse.
O cardiologista afirmou que muitos indivíduos desconhecem que têm hipertensão e, mesmo entre os que sabem, muitos não recebem tratamento adequado.
“Diabetes, colesterol elevado, fatores genéticos e idade também desempenham um papel importante. Além disso, hábitos de vida, como dieta rica em carboidratos refinados e sal, contribuem para o aumento do risco. A obesidade e a falta de atividade física também são fatores relevantes. A modificação desses hábitos pode reduzir significativamente o risco de infarto e AVC, que são nossas principais preocupações.”
Ele continuou:
“É crucial entender que as consequências de um infarto ou AVC podem ser graves, incluindo sequelas motoras e cognitivas. Portanto, é essencial que os homens realizem check-ups regulares.”
Sobre os sintomas da hipertensão, relatou:
“Recentemente, a diretriz brasileira de hipertensão foi atualizada, modificando os critérios de classificação. Em geral, recomenda-se iniciar o tratamento medicamentoso quando a pressão arterial ultrapassa 140 por 90. No entanto, em pacientes com maior risco cardiovascular ou com histórico de doenças cardíacas, o tratamento pode ser iniciado com valores mais baixos. Pessoas que têm parentes hipertensos devem procurar um médico para obter diagnóstico precoce, o que favorece o controle da doença.”
A respeito da insuficiência cardíaca, explicou:
“A insuficiência cardíaca é uma síndrome em que o coração não consegue bombear o sangue de maneira adequada para o organismo. Alguns sintomas são falta de ar, inchaço nas pernas e dificuldade para dormir deitado, levando a pessoa a só conseguir descansar sentada devido à sobrecarga sanguínea no coração. Os principais sintomas são falta de ar e inchaço nos pés.”
Dr. Cláudio destacou ainda outros sintomas associados, como sensação de frio e alteração do funcionamento intestinal.
“Felizmente, hoje conseguimos tratar pacientes com insuficiência cardíaca grave e proporcionar uma excelente qualidade de vida, graças às inovações em medicamentos. Essas inovações aumentaram significativamente a sobrevida. A insuficiência cardíaca pode surgir como consequência da hipertensão, de um infarto, ou ainda devido a inflamações e infecções, como vírus respiratórios, por exemplo, que podem enfraquecer o coração.”
O médico alertou também para a necessidade de manter as vacinas em dia:
“As pessoas devem conversar com seu médico assistente sobre a vacinação. Manter o calendário vacinal em dia é fundamental. Infelizmente, ainda temos muitos casos de febre reumática no Brasil. A defesa do corpo contra uma determinada bactéria pode desencadear essa condição, que provoca sintomas articulares, neurológicos, de pele e pode afetar as válvulas do coração, causando a chamada cardiopatia reumática.”
Dr. Cláudio finalizou:
“Essa doença geralmente surge na infância ou adolescência, mas os sintomas cardíacos aparecem apenas mais tarde, na terceira ou quarta década de vida, como cansaço, falta de ar e inchaço nos pés. Muitas vezes, esses pacientes não conseguem tratar apenas com medicamentos e precisam de cirurgia para trocar a válvula afetada.”
Sobre a importância da atividade física, concluiu:
“Todos que praticam atividade física regularmente devem passar por avaliação cardíaca para realizar seus exercícios com segurança e tranquilidade.”
Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações Miro Nascimento. Foto:Fernanda Martins
