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Salário mínimo ideal no Brasil ainda está distante da realidade e depende de crescimento econômico para avançar, aponta economista do DIEESE

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A cada mês, o DIEESE atualiza um dos indicadores mais sensíveis da realidade social brasileira: o salário mínimo necessário para garantir condições dignas de vida. Em março, esse valor chegou a R$ 7.425,99 — quase 4,6 vezes o salário mínimo atual, estimado em R$ 1.621.

O número segue o que determina a Constituição Federal, que prevê um salário capaz de cobrir despesas básicas como alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência. Mas, na prática, o valor pago hoje está longe de atender a essa exigência.

De acordo com a economista Ana Georgina, o cálculo parte de um elemento central no orçamento das famílias: a alimentação. “A gente escolhe a cesta básica exatamente porque a alimentação é o item que mais consome renda, sobretudo quando a renda é menor”, explica.

A partir desse custo, o DIEESE projeta os demais gastos. “Quando a gente coloca na ponta do lápis, quanto custa, de fato, ter uma vida digna, o valor encontrado não fica muito distante disso. Não é um número aleatório”, reforça.

Apesar de muitas vezes ser visto como algo fora da realidade, o indicador tem outra função, segundo a economista. “A gente não está dizendo que esse valor vai ser implementado de uma vez. O objetivo é acompanhar o poder de compra e mostrar o quanto ele ainda está distante do necessário”, afirma.

Limites e impactos do reajuste

Mesmo com políticas recentes de valorização do salário mínimo, a diferença ainda é considerada grande. Para Ana Georgina, essa distância não pode ser reduzida de forma imediata por causa dos impactos na economia.

“O salário mínimo não é só o salário de quem está na ativa. Ele é base para aposentadorias, benefícios da previdência. Então qualquer aumento tem um efeito direto nas contas públicas”, explica.

Além disso, há impactos também para empresas e gestões municipais. “Não dá para você simplesmente elevar esse valor de uma vez. Isso não é viável do ponto de vista econômico”, pontua.

Crescimento econômico é decisivo

Outro ponto destacado pela economista é que o avanço do salário mínimo depende diretamente do crescimento da economia. “Para que o trabalhador, de fato, ganhe mais, é preciso ter aumento acima da inflação. Se o reajuste só recompõe o que foi perdido, ele não representa ganho real”, afirma.

Segundo ela, hoje esse crescimento tem limites. “Existe um teto para o ganho real, e ele só acontece se a economia cresce. Se não houver crescimento, o reajuste acaba sendo muito pequeno”, explica.

Diante desse cenário, a economista reforça que a aproximação do salário mínimo ao valor ideal exige continuidade. “Já houve estimativas de que seriam necessários cerca de 20 anos de uma política consistente de valorização. Mas isso depende totalmente do ritmo da economia”, diz.

E conclui: “Pode parecer um valor distante, mas ele é um parâmetro importante. Ele mostra, mês a mês, o quanto o salário ainda precisa avançar para garantir o básico.”

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