A Santa Casa de Feira de Santana inaugurou, na tarde desta quinta-feira (23), o Laboratório Virtual, que permitirá a realização de treinamentos cirúrgicos e outras atividades da Educação Médica por meio da utilização de realidade virtual.
O objetivo é aprimorar os treinamentos com eficiência e sem riscos físicos. A técnica será utilizada principalmente pelos profissionais da Residência Médica, já que a instituição filantrópica feirense oferece 13 cursos em diversas áreas.
Denisval Cavalcante, coordenador do Serviço de Ortopedia, destacou a importância do Laboratório Virtual para os residentes:

“O laboratório virtual oferece um ambiente no qual o residente em ortopedia pode aprimorar suas habilidades cirúrgicas. Esse recurso proporciona maior segurança, pois permite a prática de procedimentos cirúrgicos virtuais, simulando a sequência completa de uma operação, sem envolver o paciente. Ao reproduzir a técnica estudada na literatura, o residente memoriza a sequência cirúrgica, preparando-se para a aplicação prática. As aulas são conduzidas em ambiente virtual, com a participação conjunta de um residente e um preceptor. Durante essas sessões, é possível realizar simulações de diversas cirurgias ortopédicas em um contexto totalmente virtual.”
Felippe Neto, representante da Diffucap, empresa responsável pela doação dos óculos Meta Quest juntamente com o programa Precision OS para a Santa Casa, afirma que o avanço da tecnologia deve ser acompanhado pelos profissionais:

“A evolução tecnológica exige que acompanhemos seu progresso. A tecnologia permeia todas as esferas da vida humana, desde o cotidiano até a sociedade em geral. Acreditamos que seu potencial máximo se manifesta especialmente na ciência, na medicina e nos avanços médicos. É com esse princípio que a DiffuCAP atua, valorizando a inovação e reconhecendo sua importância no desenvolvimento de tratamentos eficazes e acessíveis. Vivemos em um mundo impulsionado pela tecnologia, e a medicina acompanha essa evolução.”
Fernanda Reis, provedora da Santa Casa de Feira de Santana, explicou a parceria com a Diffucap e os avanços nas residências médicas:

“Isso representa o fruto de uma parceria entre a Diffucap e a Santa Casa e reforça algo que a instituição sempre preza: a inovação e a incorporação de tecnologia aos serviços de saúde. Estamos falando da implantação de uma nova realidade por meio da Residência Médica, trazendo mais segurança para os pacientes e também para a realização de procedimentos, como os cirúrgicos, com o uso da realidade virtual. Trata-se de uma mudança significativa em termos de inovação tecnológica dentro da instituição.”
Sobre os residentes que poderão utilizar a sala, ela explicou:
“Neste primeiro momento, estamos iniciando com a equipe de ortopedia, com os residentes da área. No entanto, o espaço é voltado para todas as especialidades cirúrgicas. Poderemos expandir para áreas como cirurgia geral, cirurgia cardíaca, cirurgia oncológica, entre outras que também serão beneficiadas ao longo do tempo.”
Eliaquim Nery, residente de ortopedia, destacou a importância de fazer parte do projeto:

“A iniciativa surgiu a partir de conversas com a equipe da Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão (Fucap) e meus preceptores, Denis Valle e o Dr. Adderbal. A questão central foi: como podemos aprimorar a formação em Ortopedia? A partir disso, diversas ideias foram consideradas, sendo o laboratório virtual a mais promissora e viável.”
Ele continua:
“O laboratório virtual, por meio da plataforma Precision OS, oferece simulações em diversas especialidades, incluindo a ortopedia, área que escolhi para aprofundar meus estudos.”
O residente explica como funciona o laboratório:
“O que caracteriza esse laboratório virtual é a experiência imersiva em realidade virtual, na qual o usuário interage com representações detalhadas da anatomia humana, incluindo ossos, músculos e vasos sanguíneos. Além disso, permite o estudo e a prática de diferentes vias de acesso cirúrgico. Por exemplo, no acesso à tíbia, que é um osso mais superficial, a abordagem é relativamente simples. Já em regiões como o quadril, a complexidade aumenta, com múltiplos músculos e nervos importantes. Em uma cirurgia de prótese de quadril, por exemplo, uma lesão do nervo ciático pode comprometer a locomoção do paciente.”
Ele conclui:
“Portanto, a principal finalidade deste laboratório é aprimorar as habilidades dos cirurgiões e treinar as vias de acesso, que são rotas preestabelecidas para proteger estruturas vitais, como o nervo ciático, a artéria femoral e o músculo glúteo médio. Ao dominar essas vias, é possível realizar procedimentos com mais segurança e menor risco de complicações.”
Nery também ressalta:
“Este laboratório é um recurso extremamente valioso. A experiência de treinar em pacientes reais é limitada, e erros podem causar sequelas permanentes. No ambiente virtual, é possível errar, repetir o procedimento e corrigir falhas com a orientação de um preceptor, o que é fundamental para o aprendizado.”
Sobre a redução da ansiedade durante os procedimentos, ele afirma:
“Em um centro cirúrgico, diversos fatores influenciam a performance do cirurgião, como o tempo de anestesia, a pressão por resultados e a necessidade de cumprir a programação. No ambiente virtual, esses fatores são minimizados. O profissional pode dedicar o tempo necessário, sem pressão externa, e contar com orientação constante. Ao ganhar experiência e confiança no ambiente virtual, o cirurgião se torna mais preparado para oferecer o melhor tratamento aos pacientes.”
Com informações, escrita e fotos:Fernanda Martins
