Um legado deixado pela pandemia da Covid-19 continua influenciando o funcionamento da Câmara dos Deputados. O sistema de votação remota, criado em 2020 para permitir os trabalhos durante o isolamento social, foi incorporado à rotina da Casa e hoje possibilita que deputados participem das sessões à distância. Com isso, votações de temas considerados sensíveis têm ocorrido mesmo com baixa presença física no plenário.
Sob a presidência de Hugo Motta, a Câmara vem utilizando com frequência o modelo semipresencial. Embora o painel eletrônico registre elevado número de parlamentares participando das deliberações, as imagens do plenário mostram um ambiente esvaziado, situação que tem gerado questionamentos sobre a qualidade do debate e a transparência das decisões.
Especialistas apontam que o sistema trouxe ganhos de agilidade e evitou a paralisação dos trabalhos legislativos. No entanto, críticos afirmam que a ausência física dos deputados reduz o espaço para discussões e favorece a aprovação de matérias sem grande exposição pública.
O modelo híbrido foi oficialmente regulamentado em 2025 e prevê sessões presenciais principalmente às terças, quartas e quintas-feiras, enquanto segundas e sextas costumam ser reservadas para sessões semipresenciais. Na prática, os parlamentares podem registrar presença e votar por meio de aplicativo, mesmo estando fora de Brasília.
A continuidade desse formato tem reacendido o debate sobre os efeitos do chamado “legado da pandemia” na dinâmica do Congresso Nacional, especialmente em votações de grande impacto político.
Fonte: G1
