A Polícia Rodoviária Federal (PRF) intensificou as ações de fiscalização nas rodovias federais da Bahia para combater o transporte irregular de medicamentos utilizados para emagrecimento. A iniciativa faz parte da Operação Rota do Emagrecimento, criada após um trabalho de inteligência que identificou os principais caminhos utilizados para o contrabando e a circulação de produtos sem autorização dos órgãos de fiscalização.
Em entrevista ao Dia a Dia News, o chefe da Delegacia da PRF em Feira de Santana, Ivanildo Cerqueira, explicou que a operação foi estruturada a partir de um mapeamento das rotas mais utilizadas por organizações criminosas para transportar canetas injetáveis, ampolas e outros medicamentos voltados ao emagrecimento.
Segundo ele, o crescimento da procura por esses produtos está diretamente relacionado à busca pelo chamado “corpo ideal”, fenômeno impulsionado pela valorização da estética e pelo culto à imagem. No entanto, essa procura tem alimentado um mercado clandestino que coloca em risco a saúde da população.
“A Rota do Emagrecimento diz respeito, mais especificamente, a canetas, ampolas e outros materiais ilegais que ingressam no nosso país pelas rodovias. Em muitos casos, são medicamentos que sequer estão autorizados para comercialização no Brasil, mas acabam sendo utilizados por diversas pessoas”, destacou.
A BR-116, uma das principais rodovias do país, é apontada pela PRF como um dos corredores mais utilizados para esse tipo de transporte irregular. O trecho baiano, que passa por cidades como Vitória da Conquista, Jequié e Feira de Santana, concentra grande parte das ocorrências registradas pela corporação.
De acordo com Ivanildo Cerqueira, somente nas delegacias da PRF desses três municípios já foram apreendidos mais de mil produtos relacionados ao emagrecimento transportados de forma irregular. Os números reforçam a importância da operação e da intensificação das fiscalizações ao longo da rodovia.
Além da origem ilegal dos medicamentos, outro fator que preocupa os agentes é a forma como esses produtos são transportados. Durante as abordagens, a PRF já encontrou medicamentos escondidos em compartimentos de motores de veículos, locais que atingem temperaturas elevadas, além de bagageiros de ônibus e outros espaços sem qualquer controle térmico.
Segundo o inspetor, muitos desses medicamentos precisam ser mantidos em temperatura adequada para preservar suas propriedades. O armazenamento incorreto pode comprometer a eficácia do produto e aumentar os riscos para quem faz uso dessas substâncias.
A fiscalização é realizada de maneira estratégica. Embora a abordagem a ônibus interestaduais tenha apresentado resultados positivos nas apreensões, a PRF esclarece que não existe um perfil específico de condutor ou passageiro que seja alvo da operação.
O aprofundamento da fiscalização ocorre a partir de uma série de fatores observados durante a abordagem. Inicialmente, os policiais realizam uma verificação de rotina, mas, conforme surgem inconsistências nas informações apresentadas pelos ocupantes do veículo ou outros indícios de irregularidade, a inspeção pode se tornar mais detalhada.
Outro importante instrumento utilizado pela corporação são as denúncias encaminhadas pela população. As informações recebidas são analisadas e, quando confirmadas, servem de base para ações de fiscalização e abordagens específicas.
Após a apreensão, os medicamentos recebem a destinação prevista em lei. Dependendo das circunstâncias do flagrante, os produtos são encaminhados à Receita Federal ou à Polícia Judiciária, que dará continuidade aos procedimentos legais.
Durante as operações, a PRF também identifica produtos que sequer possuem registro ou autorização para comercialização no Brasil. Em alguns casos, foram encontrados medicamentos experimentais e substâncias de procedência desconhecida, o que amplia os riscos para quem adquire esses produtos de forma clandestina.
Diante desse cenário, a orientação da Polícia Rodoviária Federal é para que a população nunca utilize medicamentos sem acompanhamento médico e evite comprar produtos vendidos de forma irregular, principalmente pela internet ou em canais sem procedência comprovada.
Segundo Ivanildo Cerqueira, além de colocar a própria saúde em risco, a compra desses medicamentos alimenta o mercado ilegal e fortalece organizações criminosas responsáveis pelo contrabando e pela distribuição desses produtos.
A PRF reforça ainda que denúncias sobre transporte irregular de medicamentos ou qualquer outra atividade suspeita nas rodovias federais podem ser feitas pelo telefone 191, canal de atendimento disponível 24 horas. A colaboração da população, segundo a corporação, é fundamental para fortalecer o combate ao comércio clandestino e proteger a saúde dos consumidores.
