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Economista comenta sobre tarifaço e educação financeira nas escolas

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As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem provocar reflexos em diferentes setores da economia nacional, especialmente nas atividades voltadas à exportação. Em entrevista ao programa Dia a Dia News, o economista Bruno Mota analisou os impactos da medida, falou sobre os desafios para a Bahia e defendeu investimentos em educação, inovação e tecnologia como caminho para fortalecer a economia brasileira.

“Essa é uma questão muito mais política do que econômica”

Logo no início da entrevista, Bruno Mota afirmou que a decisão do governo norte-americano não pode ser analisada apenas sob a ótica comercial.

Segundo ele, o tarifaço tem um forte componente político e ocorre mesmo em um cenário em que a balança comercial é favorável aos Estados Unidos.

“Essa questão é muito mais política do que efetivamente econômica. A balança comercial hoje já é positiva para os Estados Unidos. Há uma influência política muito forte por trás dessa decisão.”

Para o economista, o Brasil precisa manter sua soberania econômica e evitar qualquer relação de dependência excessiva com um único mercado internacional.

Bahia deve sentir impactos em setores estratégicos

Bruno Mota explicou que os primeiros efeitos deverão atingir os setores exportadores da Bahia.

Ele citou como mais vulneráveis os segmentos de celulose, petroquímica, cacau, café e combustíveis.

Embora o consumidor não perceba mudanças imediatas, o economista lembra que a redução das exportações pode diminuir o ritmo da economia e afetar empregos.

“Quem vai sofrer primeiro é quem está diretamente ligado à exportação. Depois vem o rebote sobre a oferta e a demanda de trabalhadores.”

Segundo ele, contratos internacionais impedem mudanças instantâneas, mas a tendência é que os efeitos apareçam gradualmente.

Queda nas exportações pode aumentar oferta interna

Na avaliação de Bruno Mota, alguns produtos destinados ao mercado externo poderão permanecer no Brasil caso as exportações diminuam. Isso pode gerar um aumento temporário da oferta e até aliviar os preços de determinados produtos.

Apesar disso, ele faz um alerta.

“Nunca é positivo deixar de exportar. O ideal é que a Bahia exporte cada vez mais, gere mais empregos e mais dinamismo para a economia.”

O economista afirmou que o momento reforça a necessidade de o Brasil ampliar suas relações comerciais e buscar novos mercados consumidores.

“Se o Brasil quer crescer, tem que crescer com indústria, serviços de qualidade e produtos de alto valor tecnológico. É isso que gera riqueza e empregos de melhor qualidade.”

Educação e inovação são prioridades

Durante a entrevista, Bruno Mota aproveitou o debate para defender investimentos estruturais.

Segundo ele, a Bahia precisa colocar educação, ciência, tecnologia e inovação no centro das políticas públicas para aumentar sua competitividade.

“A gente precisa investir em educação. Precisa investir em inovação. Hoje estados como Pernambuco e Rio Grande do Norte já avançaram mais do que a Bahia nessa área.”

Ele também defendeu que esses temas ocupem mais espaço no debate eleitoral.

“É importante que a população cobre educação, inovação, emprego de qualidade e aumento da renda. Esses assuntos também precisam estar no centro das eleições.”

Petróleo e combustíveis dependem do cenário internacional

Ao comentar os possíveis impactos sobre os combustíveis, Bruno Mota explicou que o mercado do petróleo é influenciado por fatores muito mais amplos do que as tarifas comerciais.

Segundo ele, guerras, conflitos internacionais e a cotação do dólar continuam sendo os principais elementos que determinam o preço dos combustíveis.

“Quando a gente fala de petróleo, não fala apenas de Bahia ou Brasil. A gente fala do mundo.”

Ele lembrou ainda que boa parte do petróleo brasileiro passa por processos de refino fora do país, o que reduz a influência direta das novas tarifas sobre os preços internos.

O economista acrescentou que um dos grandes desafios mundiais é desenvolver tecnologias capazes de substituir o petróleo em setores como a aviação e parte da indústria.

“Ainda não temos tecnologia para substituir completamente o petróleo nessas atividades. Esse é um dos grandes desafios da energia renovável.”

Brasil precisa ampliar seus parceiros comerciais

Questionado sobre a estratégia do governo brasileiro de buscar negociação com os Estados Unidos, Bruno Mota afirmou que toda negociação depende da disposição dos dois lados.

Na opinião dele, o governo norte-americano tem adotado uma postura pouco aberta ao diálogo.

“Quando você entra em uma negociação, precisa saber se o outro lado também quer negociar. Se ele quer apenas impor, não existe negociação.”

O economista ressaltou que o Brasil precisa reduzir sua dependência comercial.

“A gente não pode depender de ninguém. Quanto mais mercados tivermos para vender nossos produtos, menor será o impacto de medidas como essa.”

Bruno Mota também ponderou que o Brasil enfrenta uma negociação desigual diante da maior economia do planeta.

“A gente não tem a mesma influência sobre o mercado americano para criar grandes dificuldades. Por isso é importante ampliar relações comerciais com outros países.”

Educação financeira pode mudar a relação das pessoas com o dinheiro

Outro tema abordado durante a entrevista foi a aprovação, pelo Senado, da inclusão da educação financeira como tema transversal nas escolas.

Defensor da proposta há vários anos, Bruno Mota comemorou o avanço e destacou que aprender a lidar com o dinheiro desde cedo pode transformar a vida das pessoas.

“A educação financeira é compreender a relação com o dinheiro. É entender que existem desejos, mas que eles podem ser realizados aos poucos.”

Segundo ele, o problema do endividamento não está restrito às famílias de baixa renda.

“Hoje você encontra um grau elevado de endividamento até entre médicos. Ou seja, não é apenas uma questão de renda, mas também de comportamento financeiro.”

Para o economista, o equilíbrio financeiro depende principalmente das escolhas feitas ao longo da vida.

“A educação financeira não é uma questão exclusiva das pessoas pobres. Quem ganha muito também pode se endividar se não souber administrar o próprio dinheiro.”

Consumo impulsivo também precisa ser discutido

Durante a entrevista, Bruno Mota afirmou que muitos hábitos de consumo foram naturalizados pela sociedade e acabam comprometendo o orçamento das famílias.

Como exemplo, citou a troca frequente de automóveis.

“A pessoa compra um carro e, quatro anos depois, diz que enjoou. Como alguém enjoa de um bem de R$ 70 mil? Isso é um comportamento cultural.”

Segundo ele, a pressão social incentiva o consumo excessivo e leva muitas pessoas a assumirem dívidas desnecessárias.

“A sociedade cria a ideia de que é preciso trocar de carro, trocar de celular, consumir o tempo todo. Muitas vezes isso acontece sem necessidade e acaba comprometendo a renda das famílias.”

Liberdade financeira significa mais autonomia

Ao encerrar a entrevista, Bruno Mota reforçou que a educação financeira vai muito além de ensinar a economizar.

Para ele, quem consegue organizar as finanças conquista liberdade para tomar decisões importantes ao longo da vida.

“Quanto maior a liberdade financeira, maior a independência das pessoas. Quem possui uma reserva pode escolher permanecer ou sair de um emprego. Quem está endividado perde essa liberdade.”

Na avaliação do economista, ensinar educação financeira desde cedo é uma forma de preparar as novas gerações para fazer escolhas mais conscientes e construir uma relação mais equilibrada com o dinheiro.

“A educação financeira ajuda as pessoas a entenderem que é possível realizar sonhos sem comprometer o futuro. Ela traz autonomia, equilíbrio e melhora a qualidade de vida.”

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