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Inadimplência volta a crescer na Bahia e acende alerta para educação financeira

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A inadimplência voltou a crescer na Bahia e reforça um cenário de preocupação para consumidores e especialistas. Dados mais recentes mostram que o estado registrou alta de 0,3% no número de pessoas negativadas em relação ao mês anterior, chegando a quase 5,2 milhões de baianos com dívidas em atraso. O aumento acompanha a tendência nacional e evidencia os desafios enfrentados pelas famílias para manter as contas em dia.

De acordo com José Capobianco, especialista em educação financeira, a elevação da inadimplência está ligada ao contexto econômico vivido pelo país.

“Depois de um mês de estabilidade, voltamos a observar crescimento. Apenas sete dos 27 estados brasileiros não registraram aumento da inadimplência nesse período. Isso mostra que estamos diante de um cenário macroeconômico que tem impactado diretamente a população e a capacidade das famílias de manterem suas contas em dia”, explica.

Cartão de crédito concentra a maior parte das dívidas

Entre os principais fatores que contribuem para o aumento da inadimplência está o uso do crédito sem planejamento. Segundo José Capobianco, as dívidas com bancos e cartões de crédito representam a maior parcela dos débitos registrados.

“Hoje, bancos e cartões respondem por cerca de 32% das dívidas. Em seguida aparecem as financeiras, com aproximadamente 22%, e o varejo, com quase 15%. Isso mostra que boa parte da inadimplência está ligada ao uso do crédito.”

O especialista ressalta que o cartão de crédito não é o problema em si, mas sim a forma como é utilizado.

“Quando o cartão passa a ser usado como complemento da renda e a pessoa perde o controle das parcelas, o risco de endividamento aumenta significativamente.”

Falta de educação financeira pesa no orçamento das famílias

Para José Capobianco, um dos fatores que mais contribuem para esse cenário é a pouca disseminação da educação financeira no Brasil.

Segundo ele, muitos brasileiros chegam à vida adulta sem aprender conceitos básicos sobre planejamento financeiro, organização do orçamento e controle de gastos.

“A educação financeira ainda é pouco discutida. As pessoas crescem sem aprender a administrar o próprio dinheiro e acabam enfrentando dificuldades para equilibrar receitas e despesas.”

Além disso, ele lembra que o alto custo de vida agrava ainda mais a situação.

“As despesas básicas estão cada vez mais caras. Alimentação, moradia, transporte e contas essenciais comprometem grande parte da renda das famílias. Sem planejamento, é muito fácil entrar em uma bola de neve.”

Educação financeira nas escolas pode mudar esse cenário

A aprovação do ensino de educação financeira nas escolas é considerada pelo especialista um avanço importante para formar adultos mais preparados para lidar com o dinheiro.

Segundo José Capobianco, esse aprendizado precisa começar ainda na infância.

“Quanto mais cedo esse conhecimento chegar às crianças, maior será a capacidade de elas desenvolverem hábitos saudáveis em relação ao dinheiro. É preciso ensinar equilíbrio, planejamento, consumo consciente e a importância de poupar.”

Na avaliação dele, esse conhecimento pode reduzir o endividamento das futuras gerações.

Planejamento é fundamental para evitar dívidas

Entre as principais orientações para quem deseja manter a saúde financeira está a organização do orçamento.

José Capobianco recomenda que cada pessoa conheça detalhadamente suas despesas fixas antes de assumir novos compromissos financeiros.

“O primeiro passo é entender quais são os gastos fixos. Depois disso, fica mais fácil identificar quanto realmente sobra para despesas variáveis, como lazer, compras ou outras necessidades.”

Ele afirma que ferramentas simples podem ajudar nesse processo.

“Uma planilha, um aplicativo ou até mesmo anotações em um caderno já permitem acompanhar os gastos e identificar onde é possível economizar.”

Adultos jovens lideram os índices de inadimplência

Embora o endividamento atinja homens e mulheres de forma semelhante, existe uma maior concentração entre adultos jovens.

Segundo o especialista, pessoas entre 20 e 40 anos aparecem com mais frequência entre os consumidores negativados.

“Muitos jovens começam a trabalhar e a utilizar crédito sem terem recebido qualquer orientação sobre planejamento financeiro. Isso acaba refletindo no aumento das dívidas.”

Ele destaca ainda que o problema já alcança quase metade da população adulta brasileira.

Atrasos nas contas são os primeiros sinais de alerta

O especialista alerta que a inadimplência costuma ser precedida por alguns comportamentos que merecem atenção.

Entre eles estão o atraso frequente de contas, o pagamento parcial da fatura do cartão de crédito e o parcelamento constante de despesas.

“No começo pode ser apenas uma conta atrasada, mas, com o tempo, os juros aumentam e a dívida cresce rapidamente. Quando isso se torna recorrente, a negativação acaba sendo uma consequência.”

Para ele, agir nos primeiros sinais pode evitar problemas maiores.

Renegociação pode ajudar na recuperação financeira

Com o aumento do endividamento, cresce também a procura por alternativas para renegociar débitos.

José Capobianco explica que programas como o Desenrola ampliaram as oportunidades para que consumidores consigam descontos e condições facilitadas de pagamento.

“O programa foi criado justamente para aproximar consumidores e credores, oferecendo condições mais favoráveis para a negociação das dívidas.”

Segundo ele, vale a pena que cada consumidor consulte as oportunidades disponíveis para seu caso.

Especialista recomenda quitar uma dívida por vez

Para quem já está inadimplente, José Capobianco orienta que a reorganização financeira seja feita com planejamento e cautela.

Segundo ele, muitas pessoas possuem quatro ou cinco dívidas e tentam resolver todas ao mesmo tempo, o que nem sempre é possível.

“A melhor estratégia é identificar quais dívidas oferecem maiores descontos ou estão provocando a negativação e começar por elas. É importante fazer acordos que realmente caibam no orçamento.”

O especialista reforça que assumir parcelas além da capacidade financeira pode fazer com que o consumidor volte rapidamente ao endividamento.

“Não adianta fechar vários acordos e depois não conseguir pagá-los. O ideal é negociar dentro da própria realidade financeira e quitar uma dívida de cada vez. Aos poucos, é possível recuperar o equilíbrio das contas e sair da inadimplência de forma definitiva.”

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