Os bancários de todo o país aprovaram uma paralisação de advertência para o próximo dia 20 de agosto, em meio ao impasse nas negociações da campanha nacional da categoria. A mobilização ocorre após oito rodadas de negociação com os bancos, sem que, segundo os trabalhadores, tenha sido apresentada uma proposta considerada capaz de atender às principais reivindicações da categoria.
Em entrevista ao Dia a Dia News, o diretor de comunicação do Sindicato dos Bancários, Edmilson Cerqueira, explicou que a mobilização é uma resposta ao que os trabalhadores consideram falta de avanços nas negociações.
Negociações começaram antes da data-base
Edmilson Cerqueira explicou que a construção da pauta de reivindicações começou ainda nos meses que antecederam a campanha salarial. Foram realizados encontros regionais e nacionais envolvendo trabalhadores de diferentes instituições financeiras.
Entre os bancos representados nas discussões estão Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Caixa Econômica Federal.
As reivindicações foram encaminhadas às instituições financeiras e à Federação Nacional dos Bancos, a Fenaban. A data-base da categoria é 1º de setembro.
Segundo Edmilson, entre os principais pedidos está a reposição da inflação medida pelo INPC, acompanhada de 5% de aumento real nos salários.
Categoria questiona proposta dos bancos
De acordo com o diretor de comunicação do sindicato, os trabalhadores esperavam uma proposta que levasse em consideração os resultados apresentados pelo setor bancário nos últimos anos.
Edmilson afirmou que os cinco maiores bancos do país somam mais de R$ 130 bilhões em lucro líquido e que, apesar dos resultados financeiros, os trabalhadores estariam recebendo uma proposta considerada insuficiente pela categoria.
Além da questão salarial, outros pontos estão no centro das discussões. Entre eles estão os valores dos tíquetes-refeição e alimentação, a Participação nos Lucros e Resultados, os planos de saúde e as condições de trabalho.
Segundo o sindicalista, a preocupação aumenta porque, além de não atender às reivindicações dos trabalhadores, algumas propostas discutidas nas mesas de negociação poderiam representar retirada ou redução de direitos.
Planos de saúde preocupam trabalhadores
Um dos assuntos destacados por Edmilson foi o custo dos planos de saúde oferecidos aos funcionários dos bancos públicos.
Ele citou o Saúde Caixa como exemplo e afirmou que mudanças realizadas ao longo dos últimos anos aumentaram a participação dos trabalhadores nas despesas.
Na avaliação do representante sindical, a elevação desses custos pode dificultar o acesso dos bancários ao próprio plano de saúde.
Edmilson também citou situações semelhantes envolvendo funcionários do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste e afirmou que os trabalhadores dos bancos privados também enfrentam discussões relacionadas ao aumento dos custos dos planos.
Condições de trabalho também estão na pauta
A categoria também reclama da redução do número de funcionários nas agências.
Segundo Edmilson Cerqueira, a diminuição do quadro de trabalhadores faz com que bancários que permanecem nas instituições tenham que assumir funções e demandas de colegas que foram demitidos.
O diretor de comunicação afirma que a sobrecarga tem reflexos nas condições de trabalho e pode contribuir para o adoecimento dos profissionais.
Outro ponto citado é o fechamento de agências bancárias. Segundo ele, existem municípios e localidades que possuem apenas uma agência e que podem ficar sem atendimento presencial caso essas unidades sejam fechadas.
Para o sindicato, a redução da estrutura também prejudica os clientes, especialmente aqueles que dependem do atendimento presencial.
Paralisação não significa greve geral
Edmilson Cerqueira fez questão de diferenciar a mobilização do dia 20 de uma greve geral.
A paralisação aprovada pela categoria é considerada um movimento de advertência. O objetivo é pressionar os bancos antes do encerramento das negociações.
Uma eventual greve, segundo o sindicalista, somente poderá ser deflagrada depois de esgotadas as possibilidades de negociação e com o cumprimento de todos os procedimentos previstos na legislação.
Dia 20 deve ter mobilização nacional
A expectativa é de que a paralisação aconteça em agências bancárias de diferentes regiões do país.
Edmilson orienta os clientes a se programarem e utilizarem, quando necessário, alternativas como caixas eletrônicos, aplicativos, internet banking, correspondentes bancários e outros canais de atendimento.
Ele ressaltou, porém, que o impacto da mobilização poderá depender da adesão dos trabalhadores e dos setores envolvidos.
O diretor de comunicação chegou a citar a possibilidade de paralisações em áreas tecnológicas dos bancos, o que poderia comprometer temporariamente serviços digitais, embora não haja, neste momento, uma confirmação de que isso ocorrerá.
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Por isso, a orientação aos clientes é acompanhar os comunicados dos bancos e do sindicato e, se possível, antecipar operações que dependam do atendimento presencial.
Última rodada acontece no dia 25
A rodada de negociação considerada decisiva está prevista para o dia 25 de agosto. Até lá, representantes dos trabalhadores permanecem acompanhando as tratativas com os bancos.
Segundo Edmilson, os representantes do Comando Nacional dos Bancários estão de plantão e podem ser chamados pela Fenaban a qualquer momento caso surja uma nova proposta.
A categoria afirma que está aberta ao diálogo, mas espera uma proposta que possa ser apresentada aos trabalhadores para avaliação.
Greve pode ser o próximo passo
Caso não haja avanço nas negociações, os bancários poderão iniciar os procedimentos para uma greve geral.
Edmilson explicou que uma eventual paralisação por tempo indeterminado não seria imediata. Antes, seria necessário cumprir as etapas legais, incluindo comunicação à população, aos bancos e a realização das assembleias previstas.
A decisão dependerá, portanto, do resultado das próximas negociações.
Feira de Santana acompanha mobilização nacional
Em Feira de Santana, a categoria também aprovou a paralisação de advertência do dia 20.
Segundo Edmilson Cerqueira, a decisão local acompanha o movimento nacional e demonstra a insatisfação dos trabalhadores diante do andamento das negociações.
O sindicalista reforçou que a mobilização não é apenas uma discussão sobre reajuste salarial. A pauta envolve também benefícios, participação nos lucros, planos de saúde, condições de trabalho, manutenção de empregos e a qualidade do atendimento oferecido à população.
Com a data-base marcada para 1º de setembro, os próximos dias serão decisivos para a campanha salarial dos bancários. A expectativa agora está voltada para a rodada do dia 25 e para a possibilidade de uma nova proposta por parte dos bancos.
Até lá, a paralisação de advertência do dia 20 deve funcionar como um sinal de pressão da categoria para que as negociações avancem e um acordo seja construído antes que os trabalhadores precisem recorrer a uma greve geral.
