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Sensei Adriano Araújo destaca dedicação de atletas da Astekas no Mundial de Karatê JKS

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Academia de Feira de Santana levou 21 atletas para representar o Brasil

Feira de Santana voltou a ganhar destaque no cenário internacional do karatê. A Academia Astekas participou do 7º Campeonato Mundial de Karatê JKS, realizado em Vitória, no Espírito Santo, levando 21 atletas para integrar a Seleção Brasileira na disputa.

A participação terminou com um resultado expressivo: 16 dos 21 atletas feirenses conquistaram medalhas. Além dos pódios, a delegação também teve atletas campeões e vice-campeões mundiais em diferentes categorias.

Em entrevista ao Dia a Dia News, o Sensei Adriano Araújo avaliou a participação da equipe e destacou que o resultado é consequência de um trabalho que começou muito antes da viagem para o Espírito Santo.

“Olha, o balanço foi mais positivo. A Astekas levou 21 karatekas. Desses 21, 16 conquistaram medalhas. Tivemos vários atletas sendo campeões mundiais, o que reflete a tradição de Feira de Santana no cenário estadual, nacional e internacional”, afirmou.

Para o Sensei, a quantidade de atletas convocados também demonstra a força do trabalho realizado pela academia.

“Os atletas se classificaram via Campeonato Brasileiro de 2025. Feira de Santana e, em particular, a Astekas, foi a academia com mais atletas convocados pela Seleção Brasileira de Karatê JKS”, explicou.

Preparação começou muito antes do Mundial

A presença dos atletas no Mundial foi construída ao longo de meses de treinamento.

Segundo Adriano Araújo, depois da classificação, os atletas passaram por uma preparação envolvendo competidores de diferentes cidades da Bahia.

“Esses atletas fizeram a preparação ao longo do ano comigo, que fui um dos técnicos da Seleção Brasileira. Os treinos aconteciam com reunião de atletas de Feira de Santana, Salvador, diversas cidades da Bahia”, contou.

A rotina de preparação exigia que os atletas utilizassem os finais de semana para os treinamentos.

“Aos finais de semana aqui na sede da Astekas, e todo esse empenho, esse sacrifício do sábado e dos domingos foram compensados com um excelente desempenho”, destacou.

Para ele, o Mundial representa um dos principais palcos para os praticantes da modalidade.

“É uma competição que é a mais importante do cenário internacional para quem treina o karatê da Japan Karate Shoto Federation”, afirmou.

Família teve papel importante na preparação

Mas, antes de entrar no tatame, os atletas precisaram se preparar também emocionalmente.

Adriano Araújo explicou que a academia buscou aproximar as famílias, principalmente porque grande parte dos competidores era formada por crianças e adolescentes.

“A maioria dos nossos atletas convocados eram menores de idade. A gente faz um trabalho de convidar a família para dentro da academia”, explicou.

A proposta é fazer com que os pais compreendam o processo e participem da formação dos atletas.

“Para que as instruções que são dadas, a maneira como é comportada, os pais também possam colaborar com essa preparação, principalmente dos menores de idade, que ainda estão em formação”, acrescentou.

Academia não cobra medalha

Um dos pontos mais destacados pelo Sensei Adriano foi a maneira como a Astekas trabalha a pressão por resultados.

Segundo ele, os atletas não são cobrados para necessariamente conquistar medalhas.

“A gente tem um preceito de nunca cobrar resultado de nenhum atleta, e isso é bastante enfatizado durante os treinos”, afirmou.

O objetivo é fazer com que o competidor se concentre na própria performance.

“O que a gente quer é empenho. A gente cobra que o atleta dê o seu melhor e ajuda na parte técnica, emocional, dando todo o suporte possível”, explicou.

A estratégia, segundo Adriano, contribui para que os atletas cheguem às competições com menos pressão.

“Para que eles possam ir para a competição despreocupados com a questão do resultado, preocupados apenas em dar o seu melhor”, disse.

Esporte amador impõe dificuldades

A preparação para um campeonato mundial, entretanto, acontece dentro de uma realidade de limitações do esporte amador.

Adriano Araújo explicou que a academia não dispõe de toda a estrutura que seria ideal para uma preparação de alto rendimento.

“É um esporte amador, não tem uma megaestrutura de preparação, tipo fisioterapeuta, psicóloga, porque as condições de esporte amador realmente são bastante necessitadas nesse ponto”, afirmou.

Por isso, a participação das famílias acaba sendo ainda mais importante.

“Contudo, a gente vai conversando, trazendo a família para dentro da academia para que ajude a gente nessa preparação dos atletas”, destacou.

De 7 a 72 anos no mesmo desafio

Um dos aspectos que chamaram atenção na delegação foi a diferença de idade entre os atletas.

O mais jovem foi Matheus Vidal, de apenas 7 anos, que conquistou o vice-campeonato mundial em sua categoria.

Já o atleta mais velho foi Alberto Lima, de 72 anos.

Alberto, que é o aluno mais antigo da academia, também voltou para Feira de Santana com duas medalhas.

“Ele foi vice-campeão de kata e terceiro lugar de kumitê. Ganhou duas medalhas para o Brasil”, contou Adriano.

A presença de atletas de diferentes gerações é, para o professor, uma demonstração de que o esporte pode acompanhar o indivíduo durante toda a vida.

A medalha não é o único resultado

Mesmo com 16 medalhistas, Adriano Araújo faz questão de destacar aqueles que não chegaram ao pódio.

Segundo ele, alguns atletas tiveram desempenhos considerados brilhantes diante do alto nível de competição.

“Nós tivemos atletas que não ganharam medalhas, mas que tiveram uma participação brilhante, com categorias com mais de 70 concorrentes e chegaram próximo à premiação”, afirmou.

Para o Sensei, a evolução individual de cada atleta é uma das maiores recompensas de quem trabalha na formação esportiva.

“Ver o aluno chegar, estar preparado, você vai ajudando naquele processo, vai motivando, vai treinando, vai preparando física, técnica, emocionalmente o aluno”, explicou.

E completou:

“Ver que o desempenho, o crescimento de desempenho, é o que mais nos deixa satisfeitos.”

Representar Feira também foi uma conquista

Adriano também destacou a postura dos atletas durante a competição.

Segundo ele, independentemente de medalha, os competidores conseguiram representar a cidade de maneira positiva.

“A maneira como os atletas encararam a competição e participaram, que se dispuseram, independente da medalha ou não, mas a forma como eles representaram o nosso karatê, nossa cidade, nossa academia, é o que nós mais valorizamos”, afirmou.

Para ele, esse comportamento demonstra que a preparação não acontece apenas para formar campeões, mas também para formar pessoas.

Atletas precisaram conciliar esporte, trabalho e estudos

Outro desafio enfrentado pela delegação foi conciliar a rotina de preparação com as demais responsabilidades.

Os atletas adultos precisaram dividir o tempo entre emprego e treinamentos. Os mais jovens precisaram conciliar a preparação esportiva com os estudos.

“Todos eles têm a sua segunda ocupação. Quem é maior tem um emprego, quem é menor tem os estudos”, explicou Adriano.

E ressaltou:

“Então conciliar tudo isso e mostrar um resultado tão positivo é uma coisa bastante gratificante.”

Além do tempo, houve também o esforço financeiro das famílias.

“Várias pessoas fazem muito sacrifício, tanto financeiro quanto de tempo quanto de família, durante essa rotina de treinamentos que são bastante puxados e exaustivos”, contou.

“Eu mereço estar aqui”

Entre os valores trabalhados pela Astekas está o senso de merecimento.

Adriano Araújo explicou que o atleta precisa entender que chegar a uma competição mundial é resultado de esforço e dedicação.

“A gente criou possibilidades para que todos pudessem treinar o máximo possível, para se desenvolverem o máximo possível”, afirmou.

A intenção é que o competidor chegue ao campeonato sabendo que fez a sua parte.

“Que todos eles chegassem na competição com aquele senso de ‘eu mereço estar aqui, eu fiz por onde, eu trabalhei para isso, eu me esforcei para isso, eu abri mão de algumas coisas para estar aqui’”, explicou.

Para Adriano, essa consciência faz diferença quando o atleta se encontra diante dos melhores competidores do mundo.

“Nada melhor do que você chegar numa competição dessa de alto nível, onde estão os melhores atletas do mundo, sabendo que você é merecedor de estar ali e de competir bem”, destacou.

Karatê como preparação para a vida

Mais do que medalhas, o Sensei Adriano Araújo defende que o karatê deve preparar o praticante para a vida.

“Esporte é vida, é saúde, é educação, formação de caráter. São coisas que o esporte proporciona”, afirmou.

Ele também incentivou a prática esportiva desde a infância.

“A gente aconselha, pede que todas as crianças, os jovens, os adolescentes façam atividade física”, disse.

Para ele, a atividade não trabalha somente o corpo.

“Que possam trabalhar não só o corpo, mas também a mente, a disciplina, o espírito de coletividade, de cuidar um do outro”, destacou.

“Karatê não é briga”

Adriano também aproveitou a entrevista para falar sobre uma visão equivocada que algumas pessoas ainda têm sobre as artes marciais.

“Às vezes a pessoa pensa que karatê é luta, é briga, é dar golpe, é dar soco, mas é muito pelo contrário”, afirmou.

Segundo ele, o principal ensinamento está no controle.

“É preparar a pessoa para a vida, preparar a pessoa para a decisão pessoal, mas preparar principalmente para se controlar, para se conter e não precisar usar aquilo que a gente ensina quanto a golpe, quanto a ferir pessoas”, explicou.

O Sensei resumiu essa filosofia com uma frase:

“É melhor você ter um guerreiro no jardim do que um jardineiro na guerra.”

Atletas enfrentaram dificuldades para chegar ao Mundial

Outro aspecto ressaltado pelo professor foi o esforço financeiro feito por algumas famílias para garantir a participação dos atletas.

Segundo Adriano, muitos competidores viajaram sem contar com grandes patrocínios.

“Pessoas comuns, pessoas da cidade, pessoas às vezes de muito baixa renda, fizeram um sacrifício enorme para estar representando nossa cidade”, afirmou.

Ele explicou que alguns atletas precisaram buscar ajuda para conseguir participar.

“Às vezes sem patrocínio, às vezes com vaquinha, com ajuda de familiares, foram para um campeonato dessa magnitude”, contou.

Para o Sensei, o fato de esses atletas terem conseguido competir em um Mundial torna o resultado ainda mais significativo.

“Mostraram o poder de Feira de Santana, o que Feira de Santana tem de bom”, destacou.

Um resultado que representa Feira de Santana

Ao fazer o balanço final da participação, Adriano Araújo reforçou a importância de divulgar histórias positivas que acontecem na cidade.

“E a gente precisa estar sempre divulgando isso, que a gente faz de bem, porque a gente faz o que nossa cidade tem de melhor”, afirmou.

O Mundial terminou com 16 medalhistas entre os 21 atletas da Astekas, mas, para o Sensei Adriano, o resultado vai muito além dos números.

A experiência em Vitória reuniu atletas de diferentes idades, envolveu famílias, exigiu sacrifícios financeiros e pessoais e colocou competidores de Feira de Santana lado a lado com atletas de diferentes partes do mundo.

Agora, de volta à cidade, os karatekas retomam os treinamentos com novas experiências e aprendizados na bagagem.

E a Astekas segue com o desafio de formar novos atletas, fortalecer o karatê feirense e mostrar que o esporte pode ser, ao mesmo tempo, caminho para o pódio e ferramenta de formação para a vida.

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