Início » Advogada é flagrada tentando manipular IA em julgamento de habeas corpus na Bahia

Advogada é flagrada tentando manipular IA em julgamento de habeas corpus na Bahia

0 comentários

Uma advogada foi flagrada tentando manipular ferramentas de inteligência artificial utilizadas pelo Tribunal de Justiça da Bahia durante a análise de um pedido de habeas corpus. O caso envolve um homem acusado de crimes como homicídio qualificado, sequestro, cárcere privado, adulteração de sinal identificador de veículo e organização criminosa armada.

Segundo o Tribunal, comandos ocultos foram inseridos em um documento digital apresentado pela defesa. A intenção seria direcionar a ferramenta de inteligência artificial para que o pedido de habeas corpus fosse deferido, caso o arquivo fosse analisado pelo sistema.

A técnica utilizada é conhecida como prompt injection. Na prática, são inseridas instruções em um documento com o objetivo de interferir no comportamento de uma ferramenta de inteligência artificial.

Durante a análise do processo, a equipe técnica identificou uma camada de texto que não aparecia de forma perceptível na visualização comum do arquivo em PDF. Entre as instruções escondidas, havia uma orientação para que a inteligência artificial concedesse o habeas corpus.

O caso foi relatado pelo desembargador Pedro Guerra. De acordo com a análise realizada no processo, a inserção das instruções teria sido feita de maneira deliberada para tentar interferir nos algoritmos utilizados pelo Judiciário.

Mesmo com a tentativa de manipulação, o pedido de habeas corpus foi negado pela 2ª Turma da Primeira Câmara Criminal. A prisão preventiva do acusado foi mantida, com o entendimento de que a decisão estava baseada em elementos concretos presentes na investigação.

Após a identificação do episódio, o colegiado determinou o encaminhamento do caso à Ordem dos Advogados do Brasil, em Mato Grosso do Sul, para a apuração de possível infração disciplinar. O Ministério Público da Bahia também recebeu uma cópia do documento para avaliar a existência de possíveis ilícitos.

O episódio chama atenção para os desafios relacionados ao uso da inteligência artificial no Poder Judiciário. As ferramentas podem auxiliar na análise de documentos e processos, mas não substituem a atuação dos magistrados, que continuam responsáveis pela avaliação das informações e pelas decisões judiciais.

O Tribunal também trabalha no desenvolvimento de mecanismos de segurança para identificar tentativas de manipulação de sistemas de inteligência artificial, especialmente por meio de documentos apresentados durante processos.

Todos os Direitos Reservados. Produzido por  Alcance Marketing Digital