O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu ampliar as possibilidades de nomes para assumir a Casa Civil no quarto mandato. A movimentação ocorre após a vitória nas eleições e diante da preocupação de que a escolha do novo titular da pasta seja interpretada como uma indicação antecipada de seu possível sucessor político.
Inicialmente, as articulações estavam concentradas nos nomes dos ex-ministros Fernando Haddad (PT) e Camilo Santana (PT). Haddad era apontado como favorito antes das eleições, enquanto Camilo ganhou força depois de integrar o núcleo da campanha presidencial durante o segundo turno. Segundo interlocutores do presidente, Lula avalia que a nomeação de um dos dois para a Casa Civil poderia ser entendida como uma espécie de escolha antecipada para a sucessão presidencial.
Diante desse cenário, o presidente estaria disposto a ouvir outras possibilidades. Entre os nomes mencionados por aliados está o da ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), que disputou uma vaga no Senado pelo Paraná, mas não conseguiu se eleger e atualmente está sem mandato parlamentar.
As articulações também envolvem a busca por espaços no governo que permitam a Haddad e Camilo Santana manter protagonismo político, sem que a escolha represente uma sinalização sobre a sucessão. Entre as possibilidades discutidas estão os ministérios da Segurança Pública e da Educação. A primeira pasta poderá ser criada caso avance a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia as atribuições do governo federal na área de segurança.
A preocupação de Lula tem como referência a experiência do próprio governo. Após os dois primeiros mandatos do petista, entre 2003 e 2010, a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), foi escolhida para disputar a Presidência da República. À frente da pasta entre 2005 e 2010, Dilma ganhou projeção nacional ao coordenar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que reunia as principais obras e ações do governo federal.
A definição do novo comando da Casa Civil faz parte das articulações para a composição da equipe ministerial do quarto mandato. Até o momento, Lula não anunciou uma decisão sobre quem ocupará o cargo. Bahia Notícias
