Olodum completa 46 anos e comemora com show especial no Pelourinho

Neste domingo (27), o Olodum celebrou seus 46 anos de existência e legado musical, cultural e educacional em Salvador com um show especial de aniversário na Praça das Artes, no Pelourinho.O evento começou às 13h, com os cantores Lucas di Fiori, Lazinho, Nacizinho e Diggo de Deus interpretando sucessos das quatro décadas de história do Olodum, acompanhados da banda afro-percussiva sob a regência de Mestre Memeu.

“Eu acho que é um presente para a cidade de Salvador, para o estado da Bahia, ter uma entidade como o Olodum, que resgatou muita gente do perigo e levou para um novo mundo. A gente não tinha certeza de onde poderíamos chegar. Mas nós chegamos aos 46 anos e esperamos que as pessoas nos levem para mais 46, ou até mais de 100 anos. Nós não vamos estar aqui, mas espero que o que a gente criou possa ultrapassar cada vez mais as muralhas dos preconceitos”, afirmou Lazinho, cantor e um dos membros fundadores do bloco.

No palco, ele se encontrou com vozes de diferentes gerações do Olodum para cantar o presente e os novos caminhos futuros do grupo.

“Eu agradeço ao Olodum por ter me acolhido aos 9 anos de idade, e para mim é um prazer estar celebrando os 46 anos deste bloco fundado na ditadura, com todas as dificuldades que o país enfrentava naquele momento, e chegar aqui anos depois com essa força e vitalidade. É um sentimento de muita alegria”, destacou o também vocalista Lucas di Fiori.

O clima era de festa; ninguém conseguiu ficar parado desde o primeiro toque do tambor. O Olodum é uma paixão que se expressa nas vozes que acompanham cada música, nas centenas de símbolos do bloco que estampam bonés, camisas, correntes e até mesmo a pele, com tatuagens, e na liberdade dos passos de dança que tomaram a Praça das Artes.

Durante a apresentação, os cantores destacaram a importância de celebrar as vitórias e as ações futuras, como o Carnaval de 2026, que terá o tema Máscaras Africanas: Magia e Beleza.

“Neste ano nós falamos das origens e agora falaremos do presente e do futuro. Para isso, vamos usar as máscaras africanas, tema do próximo ano”, pontuou João Jorge Rodrigues, fundador, ex-presidente do Olodum e atual presidente da Fundação Cultural Palmares.

Para Rodrigues, o caminho até os 50 anos do Olodum, e para as décadas seguintes, representa um momento de reflexão e ação para intercâmbios, conquista do poder político e redução das desigualdades praticamente a zero.

“Uma tarefa que não é só do Olodum, é da sociedade, é da Bahia, é do Brasil, do movimento negro, de todos nós”, finalizou.

Related posts

Educação pública avança, mas desempenho desacelera ao longo da trajetória escolar

MP investiga vazamento de dados de 290 pacientes na Bahia, incluindo exames de HIV e hepatite

MP investiga exposição de dados de mais de 290 pacientes na Bahia, incluindo exames de HIV e hepatite