No projeto A Caminho do Arraiá, Miro Nascimento visita os vendedores de fogueiras em Feira de Santana, que ficam localizados na Avenida Sérgio Carneiro.
Zeca, vendedor de fogueiras há 25 anos no local, falou sobre os valores, a origem da lenha utilizada na produção das fogueiras e a procura pelo produto.
Ele afirma que, por enquanto, as vendas estão fracas, mas que, próximo à data da festa principalmente na véspera do dia 24, a demanda aumenta tanto que não sobra nenhuma fogueira para quem deixa para a última hora.
“Ano passado, a fogueira custava R$ 60. Este ano teve aumento e está custando em torno de R$ 70, porque a lenha subiu. Mas vende tudo, graças a Deus, não fica nada.”
Sobre o aumento no preço da lenha, Zeca explica:
“Ano passado eu pagava R$40 o metro. Este ano já está R$ 60. A gente compra por metro para montar as fogueiras.”
Zeca relata que a madeira utilizada na fabricação das fogueiras vem de pessoas que trabalham com motosserra em áreas destinadas à construção. Essas pessoas recebem a madeira como pagamento e a revendem para os comerciantes.
Quanto à montagem das fogueiras, ele detalha:
“Na montagem, colocamos seis paus grossos e por dentro, vem a lenha fina, que completa.”
Morador antigo, ele conta que cresceu no bairro e que a venda de fogueiras já é uma tradição:
“Todo ano eu vendo. Já tenho clientes fixos, graças a Deus.”
Zeca também afirma que a madeira de jaqueira e mangueira, por ser seca, é ideal para a queima nas festas juninas. Segundo ele, a madeira verde demora mais para pegar fogo e por isso tem que ser montada com lenhas mistas:
“Tem que ter a madeira verde misturada. Se for seca demais, pega fogo rápido e acaba logo.”
Sobre as negociações, ele finaliza:
“Tem que ser maleável, dar uma quebrada no preço. Tem cliente que paga, bota dois pauzinhos a mais, dá R$ 20 a mais… Outros juntam uma fogueira na outra e aí tem que negociar.”
Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações Miro Nascimento. Foto divulgação