PM que matou jovem negro pelas costas foi reprovado em teste psicológico no Paraná

Dois anos antes de ser acusado de matar um marceneiro com um tiro na cabeça em São Paulo, o policial militar Fábio Anderson Pereira de Almeida foi reprovado em exames psicológicos de um concurso da Polícia Científica do Paraná. O caso ganhou repercussão após a morte de Guilherme Dias Santos Ferreira, de 26 anos, na última sexta-feira (4), confundido com um ladrão.

Guilherme foi baleado enquanto corria para pegar o ônibus após sair do trabalho. No boletim de ocorrência, o PM alegou ter confundido a vítima com um assaltante. O policial, que estava de folga, afirmou que reagiu a um suposto roubo de moto na Estrada Ecoturística de Parelheiros.

Reprovação

Em 2023, Fábio Anderson tentou ingressar na Polícia Científica do Paraná, concorrendo ao cargo de Agente Auxiliar de Perícia Oficial. De acordo com reportagem do G1, documentos mostram que ele não atingiu os parâmetros mínimos em três das dez características avaliadas, incluindo “Agressividade Controlada”, “Equilíbrio Emocional” e “Trabalho em Equipe”.

A banca examinadora ressaltou que os resultados “não pressupõem a existência de transtornos mentais”, apenas indicavam que o candidato não atendia aos requisitos para a função. Insatisfeito, Almeida entrou com recurso administrativo e, posteriormente, judicial, alegando “vícios insanáveis” no processo.

O pedido foi negado pelo juiz Diego Santos Teixeira, do Juizado Especial da Fazenda Pública, que afirmou não caber ao Judiciário questionar o mérito da decisão da banca. O caso ainda tramita na Justiça.

Tiro pelas costas

Guilherme trabalhava em uma fábrica de móveis e foi morto minutos após bater o ponto de saída. Sua viúva afirma que ele foi executado “a sangue-frio” e questiona a versão do policial. Testemunhas e registros do ponto eletrônico confirmam que ele deixou o trabalho às 22h28. O crime ocorreu às 22h35.

O PM foi preso em flagrante por homicídio culposo, mas foi liberado após pagar fiança. A Polícia Militar de São Paulo afirmou que o agente cometeu um “erro de avaliação” durante a ocorrência. O coronel Emerson Massera, chefe de comunicação da PM, disse que o caso será apurado para “fazer justiça”, mas destacou que o policial iniciou a ação como vítima de um assalto.

A defesa de Almeida e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não se pronunciaram. A Polícia Científica do Paraná também se recusou a comentar o caso.

Fonte: Jornal Correios Foto: Divulgação

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