Inaugurado nesta quarta-feira (24), o Sino da Vitória passa a integrar a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) da Santa Casa de Misericórdia de Feira de Santana.
A iniciativa segue uma tradição presente em hospitais e centros de tratamento oncológico, onde pacientes que concluem o tratamento tocam um sino como símbolo da superação da doença e do início de uma nova etapa em suas vidas.
Curada do câncer de mama, Débora Picanço foi a primeira paciente da UNACON a tocar o sino.
Em entrevista ao Dia a Dia News, Débora descreveu a importância do momento:
“É um momento muito especial ser convidada para tocar esse sino que, por sinal, eu cobrei muito! Foram oito meses de tratamento, sempre perguntando pelo Sino da Vitória.”
Sobre o processo de tratamento, Débora compartilhou:
“Foi um momento difícil, mas fui muito acolhida aqui. Então, apesar de tudo, não foi pesado. Não houve sofrimento, só coisas boas. Passei por altos e baixos, sim, mas tudo aconteceu de forma muito natural. E é possível vencer. Estou aqui representando os curados, em nome de Jesus. Tenho certeza de que a doença está sob controle e não vai voltar. Deus é fiel e esteve comigo o tempo inteiro. Por isso, não me abalei em nenhum momento.”
Fernanda Reis, provedora da UNACON, afirmou que o Sino da Vitória representa mais que um espaço físico:
“O sino vai trazer para as pessoas a ideia de ecoar a vitória, ecoar a luta, ecoar a jornada. Existe um peso muito grande no tratamento do paciente oncológico, não só para os pacientes, mas também para os familiares e para os profissionais de saúde que atuam aqui.”
Ela concluiu:
“A ideia do sino é trazer acolhimento, cuidado e humanização dentro de um processo de tratamento que é tão sensível como o tratamento oncológico.”
Rodrigo Matos, secretário de Saúde de Feira de Santana e ex-provedor da UNACON, destacou que a saúde não se faz apenas com profissionais e infraestrutura:
“Aqui temos uma estrutura muito bonita, com pessoas que trabalham intensamente para que os pacientes sejam curados e encontrem tratamento. Mas veja como o simbólico é importante. O acolhimento é fundamental. As pessoas querem ser bem tratadas, querem ser felizes.”
Sobre o tratamento contra o câncer, ele acrescentou:
“O câncer é uma doença que deixa as pessoas muito vulneráveis. E quando elas têm a oportunidade da cura e isso é simbolizado por esse gesto, tocar o sino é algo muito marcante. Não há dúvidas de que esse momento é importante não só para quem toca o sino, mas também inspira esperança em outros que ainda estão em tratamento.”
Em relação à criação do Sino da Vitória, Matos ressaltou:
“Buscamos fazer com que as pessoas tenham mais qualidade de vida e esperança. Existem estudos que mostram que pessoas que acreditam na cura têm mais chances de se curar. E como se desenvolvem estratégias para isso? Com instituições como essa, que pensam o tempo todo em como acolher e cuidar melhor das pessoas.”
Rodrigo finalizou:
“A instituição tem 166 anos. É a unidade responsável por tratar pacientes com câncer de 71 municípios da macrorregião centro-oeste, e ainda atende pessoas de outras localidades fora dessa região. Mais de 100 municípios são beneficiados por esse serviço. É uma unidade que precisa estar em constante reinvenção. Para além das questões técnicas, é essencial pensar no acolhimento e na forma como tratamos as pessoas. Esta é uma instituição com muita tradição, e nos orgulha vê-la se reinventando, especialmente na perspectiva do acolhimento e da qualidade no atendimento.”
Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações Fernanda Martins. Fotos: Fernanda Martins