Trump diz que tarifa de 50% é para países com quem ‘não temos nos dado muito bem’

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a agitar o cenário do comércio internacional ao anunciar que pretende aplicar tarifas de importação mais agressivas a uma ampla lista de países, com alíquotas variando entre 15% e 50%. O Brasil está entre os alvos da taxação máxima, segundo Trump, em razão de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) consideradas por ele como hostis ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante uma cúpula sobre inteligência artificial realizada nesta quarta-feira em Washington, Trump afirmou que a nova política tarifária será direta e com aplicação imediata para dezenas de países a partir de 1º de agosto. “Vamos ter uma tarifa simples e direta de algo entre 15% e 50%. Algumas, temos 50% porque não temos nos dado muito bem com esses países”, declarou.

A medida faz parte de um plano mais amplo que vem sendo delineado por Trump desde abril, quando anunciou a intenção de impor uma tarifa universal de 10% para quase todos os parceiros comerciais dos EUA. Posteriormente, ele indicou que mais de 150 países receberiam uma comunicação formal prevendo alíquotas mínimas entre 10% e 15%. No entanto, nesta semana, o ex-presidente afirmou que essas taxas podem subir, especialmente em casos que considera politicamente sensíveis.

Além do Brasil, outros países que enfrentam relações comerciais tensas com Washington também podem ser afetados. Coreia do Sul, Índia e membros da União Europeia ainda estão em processo de negociação para tentar evitar as tarifas mais altas. Trump admitiu que tratativas com a União Europeia estão em andamento e disse que poderá reduzir as alíquotas se houver concessões claras. “Se eles concordarem em abrir o bloco para as empresas americanas, então permitiremos que paguem uma tarifa mais baixa”, declarou.

No caso do Japão, por exemplo, uma tarifa de 25% foi recentemente reduzida para 15%, após o país eliminar restrições a alguns produtos dos Estados Unidos e apoiar a criação de um fundo de investimentos de US$ 550 bilhões.

Embora o discurso oficial fale em estímulo a acordos bilaterais, Trump tem classificado as próprias cartas com novas tarifas como “acordos” unilaterais e sinalizou pouco interesse em negociações demoradas. “Há tantos países que você não pode negociar com todos”, disse, ao explicar que a estratégia passa a ser impor tarifas simples e padronizadas para quem não tem tratado com os EUA.

Além das tarifas, Trump determinou a abertura de uma investigação sobre possíveis práticas comerciais desleais envolvendo empresas americanas em território brasileiro, incluindo restrições à atuação de gigantes da tecnologia. A medida reforça a tensão entre os dois países e amplia a pressão sobre o atual governo brasileiro.

Fonte: Jornal Correios Foto:Shutterstock

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