Em véspera de ano eleitoral, o Ministério das Comunicações (MCom) anunciou, ontem, durante evento na Caixa Cultural, na Avenida Carlos Gomes, um projeto específico para preparar a população no enfrentamento às fake news. Dentro desse esboço, está a regulamentação das mídias sociais.
Em um país onde a desinformação já influenciou eleitoralmente, com 98% dos eleitores de um dos principais candidatos expostos a fake news em 2018, sendo que 90% acreditaram nela, a iniciativa do governo, ao unir acesso e educação digital, se apresenta como uma resposta estruturada e oportuna para proteger o debate democrática.
Questionado sobre o tema pela Tribuna da Bahia, o secretário de Telecomunicações do Ministério, Helmano Tercius, explicou que a iniciativa engloba capacitação de comunicadores e lideranças comunitárias, campanhas educativas voltadas ao letramento digital e parcerias com plataformas digitais, ampliando o alcance das ações.
“Não se combate fake news apenas com tecnologia, mas também com informação de qualidade. Esse projeto vai dar às pessoas ferramentas para identificar, questionar e rejeitar conteúdos falsos, principalmente em ano eleitoral”, afirmou. O projeto foi revelado durante assinatura de cooperação técnica entre a Caixa e o Ministério para o Programa Computadores para a Inclusão, com a doação de mais 100 máquinas para 10 quilombos brasileiros.
À reportagem, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, destacou que o combate à desinformação é parte de uma estratégia mais ampla, que também envolve inclusão digital.
“Fake news não é um problema só do Brasil, mas temos que cuidar da nossa casa. Estamos atuando de forma coordenada com a Justiça Eleitoral e com as plataformas para proteger o direito da população à informação verdadeira”, afirmou.
Siqueira Filho defendeu ainda a regulamentação das redes sociais e das plataformas digitais como medida essencial para conter a desinformação e responsabilizar quem lucra com a propagação de conteúdo falso. “É preciso ter regras claras para todos: para quem produz, para quem compartilha e para quem lucra com a desinformação. Não se trata de censura, mas de garantir transparência e segurança para os usuários”, completou.
Na avaliação do MCom, combater fake news vai além de intervir no conteúdo digital: envolve ampliar o acesso à internet, especialmente em áreas vulneráveis, por meio de iniciativas como o Programa Computadores para Inclusão e educar para o uso consciente da informação.
Fonte: Tribuna da Bahia Foto: Divulgação
