O aumento do tamanho das amígdalas e adenoides é comum em crianças e, na maioria dos casos, não exige tratamento. No entanto, quando há infecções recorrentes ou obstrução das vias respiratórias, a cirurgia pode se tornar necessária.
Quem explica é a médica otorrinolaringologista Dra. Julyana Carneiro Gomes, especialista em clínica e cirurgia, com pós-graduação em alergia e imunologia pediátrica. Ela atende em Feira de Santana, no Hospital Otorrinos e na Clínica Encantale.
Segundo a especialista, não é apenas o tamanho das amígdalas ou das adenoides que determina a necessidade da operação. A cirurgia é recomendada principalmente em dois cenários:
Infecções frequentes: quando a criança apresenta, em média, sete episódios de infecção por ano, ou quando as crises exigem internações e uso frequente de antibióticos.
Obstrução das vias respiratórias: crianças que roncam muito, respiram mal ou têm dificuldades para se alimentar devido ao aumento das amígdalas e adenoides.
Diferença entre amígdalas e adenoides
A Dra. Julyana explica que as amígdalas podem ser vistas ao abrir a boca, localizadas no fundo da garganta. Já as adenoides ficam na parte posterior do nariz, sendo identificadas por meio de exames como a endoscopia nasal.
A cirurgia, chamada de amigdalectomia (remoção das amígdalas) e adenoidectomia (remoção das adenoides), costuma ter boa recuperação, mas exige atenção especial nos primeiros dias.
A dor é um sintoma esperado, variando conforme a sensibilidade de cada paciente. “Nunca tive um caso que necessitasse de morfina. Normalmente conduzimos bem o pós-operatório com analgésicos convencionais e acompanhamento médico próximo”, afirma a especialista.
A dieta também é adaptada: alimentos frios, líquidos e pastosos ajudam no controle da dor e na prevenção de sangramentos. Sorvete, gelatina e sucos gelados estão liberados, mas sempre acompanhados de uma dieta balanceada para evitar a desnutrição.
Benefícios após a cirurgia
De acordo com a otorrinolaringologista, os resultados geralmente são percebidos rapidamente:
redução das infecções de garganta;
melhora significativa da qualidade do sono;
mais disposição e rendimento escolar das crianças;
impacto positivo para toda a família, que passa a lidar com menos idas ao pronto-socorro e menor uso de medicamentos.
“É comum ouvir dos pais que, após a cirurgia, parece que têm outra criança em casa”, comenta Dra. Julyana.
Apesar de ser um procedimento seguro e eletivo, a cirurgia só deve ser realizada quando a criança está em boas condições de saúde. “O risco de complicações é muito baixo, mas o principal que observamos é o sangramento, algo raro e que pode ser tratado com rapidez”, explica.
O afastamento recomendado das atividades escolares varia entre 7 a 14 dias, dependendo da idade e da compreensão da criança em respeitar os cuidados no período de recuperação.
📌 Serviço
Dra. Julyana Carneiro Gomes – Otorrinolaringologista
Atendimentos: Hospital Otorrinos e Clínica Encantale, Feira de Santana
Instagram: @drajuliana.y.otorrino