O presidente da Cooperfeira, Beto Falcão, avaliou o cenário atual da pecuária na Bahia e no Brasil. Segundo ele, o preço do boi está estável, mas varia conforme as condições climáticas das regiões.
“Em Feira de Santana, Bom Fim de Feira e Anguera, a situação ainda está verde, mas em áreas como Itaberaba e Iaçu o clima seco faz os produtores desovarem o gado, o que mantém o mercado abastecido”, explicou.
Falcão ressaltou que a carne bovina continua sendo a proteína mais acessível e com maior rendimento em comparação a frango e peixe. “Além da tradição do consumo, a carne brasileira é reconhecida como a de melhor qualidade do mundo e ainda é a mais barata. Nos Estados Unidos, por exemplo, custa o dobro do preço praticado aqui”, afirmou.
Produção, estiagem e confinamento
Sobre os impactos de possíveis estiagens, o presidente destacou que o confinamento tem sido essencial para evitar perdas. “Antigamente, quando faltava alimento no pasto, era preciso vender o boi magro para não perder dinheiro. Hoje, o confinamento regulariza o mercado e garante o abastecimento durante todo o ano”, disse.
Ele explicou que a Frifeira compra gado de 156 municípios da Bahia e também de outros estados, dependendo do preço. No entanto, reconhece que o frete encarece a operação. “Nosso transporte depende do diesel. Com alternativas como trem e navio, os custos seriam reduzidos e a logística mais eficiente”, avaliou.
Exigências de mercado
Falcão também falou sobre as exigências cada vez maiores no abate. “Competimos com o mundo, então o boi precisa ser abatido com conforto, sem maus-tratos. Até o gosto da carne muda se o animal sofre”, destacou. Ele citou ainda o chamado ‘boi China’, abatido mais jovem e valorizado no mercado internacional.
Na Bahia, segundo ele, Salvador é um dos mercados mais exigentes, com frigoríficos sob fiscalização permanente. “Se a carne não atende ao padrão, não sai para o consumidor. Hoje competimos com qualquer país, e o diferencial do Brasil é oferecer qualidade a um preço menor”, completou.