Miguel Pinto destaca papel da ABCZ e defende fortalecimento da Expofeira em Feira de Santana

Foto: Miro Nascimento

O pecuarista Miguel Pinto, criador do Nelore Jacurici e membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), ressaltou a importância da entidade e defendeu novas formas de valorização da Expofeira de Feira de Santana. Em entrevista, ele destacou o papel da pecuária na economia nacional, a evolução tecnológica do setor e a necessidade de modernizar o parque de exposições do município.

Segundo ele, a ABCZ tem papel central na pecuária nacional, já que controla e avalia todas as raças zebuínas, entre elas Nelore, Guzerá e Gir. “Todos os criadores que trabalham com melhoramento genético precisam ter seus animais avaliados pelos técnicos da associação. Isso garante qualidade reprodutiva e contribui para uma carne nacional mais valorizada no mercado interno e externo”, explicou.

O Brasil, lembra Miguel, detém o maior rebanho comercial do mundo. “Hoje o gado bovino supera a própria população brasileira, com mais de 211 milhões de cabeças espalhadas pelo país”, afirmou.

O criador relembrou o impacto da pandemia e da seca recente na Bahia, que afetaram o setor, mas frisou que a Expofeira de Feira de Santana mantém uma tradição de mais de 40 anos. “Desde o ano passado vimos sinais de recuperação. A feira é uma vitrine importante para o gado de elite, que gera filhos melhoradores e uma carne mais macia e saborosa”, disse.

Ele também destacou a evolução da pecuária: se antes um animal era abatido com quatro ou cinco anos, hoje o ideal é chegar ao mercado com dois anos, no chamado “dois dentes”, o que valoriza tanto o consumo interno quanto a exportação.

Miguel enfatizou o papel da tecnologia, especialmente os leilões virtuais, que revolucionaram a venda de animais no Brasil. “Hoje não passa um dia sem que ocorram um ou dois leilões virtuais. É possível comprar direto de casa, com opções de pagamento facilitadas e sem juros. Isso abriu um leque enorme de comercialização e trouxe mais praticidade para os criadores”, afirmou.

Segundo ele, o nível de confiança nos negócios virtuais se deve à credibilidade das associações, dos leiloeiros e das raças. “É um mercado aberto e competitivo. Antes os negócios eram feitos nos parques de exposição; hoje eles acontecem de forma muito mais dinâmica.”

Outro ponto destacado foi a diversidade climática da Bahia e os desafios para adaptação do rebanho. Miguel defendeu políticas de ampliação do acesso à água para impulsionar a produção em regiões mais áridas. “A água é o insumo mais sagrado que temos. Se deixar o produtor trabalhar e oferecer condições, a pecuária e a agricultura avançam ainda mais”, destacou.

O futuro do Parque de Exposições

Ao comentar sobre o Parque de Exposições João Martins da Silva, em Feira de Santana, Miguel Pinto sugeriu que o espaço seja melhor aproveitado ao longo do ano.

“Em Uberaba, o parque se transformou em polo de lazer nos finais de semana, com atividades para famílias. Feira também poderia seguir esse caminho. O parque tem estrutura e poderia receber restaurantes, áreas de convivência e eventos diversos. Isso daria vida ao espaço além da Expofeira”, argumentou.

Ele ainda defendeu maior participação da iniciativa privada na gestão do parque. “Não há motivo para que o espaço não seja melhor explorado, atraindo público e fortalecendo a cultura pecuária do município”, concluiu.

Por: Mayara Nailanne

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