Feira de Santana completa nesta quinta-feira, 18 de setembro, 192 anos de emancipação política. Maior cidade do interior do Nordeste em termos de desenvolvimento e PIB, Feira se consolida como um polo regional nas áreas de comércio, saúde e educação, mesmo enfrentando o desafio de administrar um dos menores orçamentos entre as 35 maiores cidades do Brasil.
Para marcar a data, conversamos com Carlos Brito, secretário municipal de Planejamento, que destacou tanto o legado histórico quanto as perspectivas de futuro da cidade.
Feira de Santana possui hoje uma economia pujante, alicerçada no comércio e em sua posição estratégica como entroncamento rodoviário. O secretário Carlos Brito lembra que esse dinamismo atrai investimentos e, sobretudo, gera empregos:
“Quando uma grande empresa chega, ela não só contrata trabalhadores, mas movimenta todo um ciclo econômico: o funcionário recebe, compra no mercadinho do bairro, que por sua vez abastece no atacado do centro. É assim que se fortalece a economia. Sem economia forte não existe desenvolvimento”, afirmou.
Apesar disso, ele chama atenção para o contraste: Feira é uma das cidades mais importantes do país fora das capitais, mas administra o menor orçamento entre as grandes cidades brasileiras.

Preservação do patrimônio histórico
Questionado sobre a preservação da memória e do patrimônio arquitetônico, Brito admite que é um desafio permanente.
“O poder público tem mantido seus prédios, mas a iniciativa privada enfrenta dificuldades. Muitas famílias não conseguem arcar com os custos de manutenção, e a simples medida de tombar um bem não resolve, porque tombar implica responsabilidade de conservação e muitas vezes não há verba pública para isso”, explicou.
Ainda assim, ele destaca iniciativas em andamento, como a reforma da Biblioteca Municipal, a preservação da Casa do Flor da Motta e a atuação da Fundação Egberto Costa, que já resgatou quase 100 mil documentos históricos e mais de 200 filmes de arquivo sobre a cidade.
As raízes históricas permanecem vivas: a cidade que nasceu de uma feira de gado hoje é reconhecida como polo universitário e de saúde, sem perder a vocação comercial.
O secretário cita que Feira de Santana já recebeu visitas de reis e imperadores, e foi palco de debates registrados nos anais do Senado durante o século XIX. “A cidade teve importância direta no processo da Independência da Bahia, ainda pouco divulgada. Maria Quitéria, filha de Feira, é um símbolo nacional dessa história”, disse.
Além dela, Brito lembra que três governadores brasileiros nasceram em Feira: João Durval Carneiro (Bahia), Olímpio Vital (Sergipe) e Pedro Alcântara (Amazonas).
Crescimento urbano e futuro da cidade
O crescimento acelerado é outro ponto sensível. Feira “inchou”, nas palavras do secretário, sem que a infraestrutura acompanhasse na mesma velocidade. Ele ressalta que o planejamento urbano atual busca estimular a verticalização e a expansão com infraestrutura adequada.
“Não podemos permitir que se construam centenas de casas em áreas sem escola, posto de saúde ou acesso viário. Nosso futuro é a verticalização, e já temos grupos de trabalho para garantir que o crescimento aconteça de forma sustentável”, disse Brito.
Projetos de macrodrenagem e novas operações financeiras também estão em andamento, visando solucionar gargalos históricos da cidade.
Seja no resgate de documentos do século XIX, seja na atração de grandes investimentos, Feira de Santana continua escrevendo sua história. Para Carlos Brito, preservar o passado e planejar o futuro são tarefas complementares:
“Não basta apenas catalogar registros históricos, é preciso socializá-los. Do mesmo modo, não adianta só atrair empresas sem cuidar da infraestrutura urbana. Feira tem uma grandeza que precisa ser conhecida, respeitada e preparada para o amanhã”.
Neste aniversário de 192 anos de emancipação política, Feira reafirma sua vocação de cidade-mãe do interior nordestino: ponto de encontro, de passagem e de permanência. Uma terra que preserva suas raízes, enquanto constrói os caminhos do futuro.
Por: Mayara Nailanne
Com informações: Miro Nascimento
