Em participação no programa Dia a Dia News desta quarta-feira (17), o jornalista e cientista político Jair Onofre fez uma avaliação sobre o quadro de pré-candidatos a deputado estadual em Feira de Santana.
Conhecido pelo seu entendimento político no município e por ser um dos jornalistas mais bem informados no contexto local, Jair Onofre analisou o cenário envolvendo o prefeito José Ronaldo e a oposição.
Leia, na íntegra, o comentário do jornalista Jair Onofre:
“Tivemos uma sessão solene na Câmara Federal, onde foram comemorados os 192 anos de emancipação política de Feira de Santana — aniversário celebrado no dia 18 de setembro. Uma festa bonita, que contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues, do prefeito José Ronaldo, do presidente da Câmara Municipal, Marcos Lima, além do deputado Zé Neto, proponente do evento. Estiveram presentes também muitos empresários, representados pela CDL, Associação Comercial e Centro das Indústrias, além de vereadores e deputados. Foi um grande evento, que serviu também para apresentar reivindicações por obras de infraestrutura, educação, segurança, entre outras, encaminhadas a Brasília para avaliação de vários ministérios.
Há, inclusive, a previsão de um encontro com o ministro do Desenvolvimento Econômico, o vice-presidente Geraldo Alckmin. São várias frentes nesse sentido, todas com foco no município.
Mas falando da eleição para deputado estadual em Feira de Santana:
No poder municipal desde 2001, o grupo liderado pelo prefeito José Ronaldo vive um momento de dificuldade para eleger sua chapa de deputados estaduais em 2026.
No passado, os nomes indicados por José Ronaldo costumavam alcançar entre 25 e 30 mil votos, sendo verdadeiros puxadores de votos. Hoje, o cenário é diferente. Entre os nomes apresentados, está o deputado estadual José de Arimateia, que concentra a maioria dos seus votos na Igreja Universal do Reino de Deus, ficando na casa dos 10 mil. O pastor Tom, que já foi deputado estadual, mas teve o mandato cassado em 2022, também gira em torno de 10 mil votos. O vereador Lulinha da Conceição segue a mesma linha. Há ainda a pré-candidatura de Júlia de Carvalho, do PSDB, e de Pedro Américo, do Cidadania mas, até o momento, não há comprovação de que possam ter votação expressiva no município. Podem crescer? Podem. Mas, pelos números das eleições para vereador, não é possível afirmar isso agora.
Enquanto isso, a oposição conta com o deputado estadual Binho Galinha, sempre em primeiro nas pesquisas de opinião; Jônatas Monteiro, em segundo lugar, ambos com votações acima de 20 mil; além do deputado estadual Ângelo Almeida, que costuma oscilar em torno de 10 mil votos. Há ainda os vereadores Luiz da Feira e Silvio Dias, este último disputando pela primeira vez uma vaga de deputado estadual.
Vale lembrar que, em 2022, Pablo Roberto, hoje vice-prefeito, obteve cerca de 43 mil votos em Feira de Santana. Ele não será mais candidato a deputado estadual, pois planeja disputar uma vaga na Câmara Federal.
Outro ponto é a participação de candidatos de fora, que também buscam votos em Feira. Destaco Robinson Alemeida, que sempre alcança mais de 10 mil votos no município; o prefeito de Conceição da Feira, João de Furão (PSD); os ex-prefeitos Tiago Gileno, de Ponto Novo, e Silva Neto, de Araci, todos com presença política cada vez mais forte em Feira. Importante frisar que João de Furão e Tiago Gileno disputam pela primeira vez, enquanto Silva Neto já foi candidato em 2022, mas hoje tem presença mais consolidada, inclusive como secretário de Agricultura no governo José Ronaldo, função que vem utilizando com habilidade para transformar em votos e prestígio político.
Portanto, esse é o quadro atual. E volto a dizer: o prefeito José Ronaldo enfrenta dificuldades para montar sua chapa de deputados, pois os nomes postos não têm expressão suficiente, principalmente dentro do União Brasil, partido em que cada candidato precisa alcançar mais de 50 mil votos.
Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações de Jair Onofre.