Feira pela Alfabetização: movimento coletivo garante educação de qualidade a todas as crianças

A Secretaria Municipal de Educação (Seduc) lança o pacto FEIRA PELA ALFABETIZAÇÃO, um grande movimento coletivo que une escolas, sociedade civil e lideranças locais para garantir que todas as crianças de Feira de Santana estejam alfabetizadas na idade certa.

Pablo Roberto, secretário de Educação do município de Feira de Santana e vice-prefeito, em entrevista à reportagem do Dia a Dia News, falou sobre o objetivo do “Feira pela Alfabetização”:

“O objetivo é envolver toda a sociedade feirense de forma mobilizada e organizada, para que juntos possamos encontrar caminhos para melhorar a educação em Feira de Santana. Nenhum cidadão feirense, nenhum filho dessa terra, fica satisfeito, alegre ou feliz ao ver os resultados que estamos apresentando”, disse.

“Realizamos uma pesquisa ampla a nível nacional e identificamos que todas as cidades que mudaram a realidade da educação o fizeram a partir de uma grande mobilização com a sociedade civil. O que estamos fazendo aqui hoje é exatamente isso: estamos chamando a sociedade civil para ser nossa parceira, para nos ajudar nesta caminhada. Tenho certeza de que, se cada um fizer um pouquinho com o governo cumprindo suas obrigações, a sociedade civil estimulando a leitura e incentivando as famílias a acompanharem seus filhos nas escolas, não tenho dúvida de que teremos bons resultados”, completou.

Questionado sobre como a sociedade civil pode acompanhar e participar, o secretário afirmou:

“Primeiro, incentivando que as famílias responsáveis pelos alunos da nossa rede municipal participem de forma efetiva da educação. Elas devem ir à escola, conversar com os professores e estimular os alunos. E essa conversa pode acontecer em diversos locais. Nosso pedido é que o padre, durante a missa, fale um pouco sobre isso; que o pastor também converse sobre o tema; que, nas rodas de conversa ou até no futebol de fim de semana, os pais discutam sobre a importância da alfabetização. Estamos muito entusiasmados e acreditamos que, se cada um fizer a sua parte, conseguiremos alcançar indicadores importantes para a educação de Feira de Santana.”

Ele concluiu:

“O ‘Feira pela Alfabetização’ é um projeto novo e inovador. Não há nada parecido que tenhamos conhecimento aqui na cidade. Este é um grande pacto; não é um projeto da Prefeitura ou da Secretaria de Educação, mas uma ideia que nasceu com o objetivo de chamar toda a sociedade civil a participar. Como mencionei, todas as cidades com características e tamanho semelhantes ao de Feira de Santana, e com a importância que nossa cidade tem, mudaram sua educação ao envolver toda a sociedade nessa luta, que é uma luta de todos nós.”

O prefeito José Ronaldo, presente no evento, destacou o projeto como de grande importância para o município de Feira de Santana:

“É um projeto que considero de grande importância, um pacto pela alfabetização. O que é um pacto? É uma união. O que é um pacto? É a busca por pessoas. O que é um pacto? É a soma de pessoas, é uma soma de ideias, de pensamentos, de atitudes, é uma série de fatores. E por que isso? Porque, infelizmente, o poder público sozinho não está conseguindo resolver isso. É preciso melhorar, é preciso resolver, nós precisamos resolver isso”, afirmou.

José Ronaldo continuou:

“Estivemos em vários lugares, buscando informações e aprendendo, e vimos que, onde a sociedade participa mais, os resultados são melhores. O que queremos é que a sociedade participe desse processo — os pais, as mães, os irmãos, as escolas públicas e privadas, universidades, todos somando esforços na busca por uma educação melhor em Feira de Santana.”

Em relação à educação em Feira de Santana, o prefeito afirmou que ela ainda não está boa e que nunca escondeu isso, mas que deseja melhorar:

“Eu não entendo como uma criança que está no quarto ano da escola não sabe ler e escrever. Eu não consigo entender isso, não consigo aceitar isso. O que queremos é que as crianças no segundo ano já saibam ler e escrever. Eu, no meu primeiro ano, já sabia ler e escrever”, finalizou.

Adriana Bulos, diretora do Departamento de Ensino, relatou sobre o projeto:

“O projeto ‘Feira pela Alfabetização’ visa mostrar para a comunidade a importância de um pacto coletivo. Não só a escola é responsável pela alfabetização de crianças, jovens e adultos. Queremos mostrar que a sociedade como um todo tem papel ativo nesse processo, incentivando as famílias, os funcionários, amigos e conhecidos a valorizar a alfabetização. Isso é essencial porque o índice de analfabetismo é muito alto, não só em Feira de Santana, mas em toda a Bahia.”

Adriana concluiu:

“Estamos fazendo a nossa parte, mas também estamos buscando, junto com os parceiros, um pacto para que todos sejam responsáveis pela alfabetização, criando um plano de ação com metas a curto, médio e longo prazo, onde cada parte da sociedade pode contribuir. Nós, da educação, já estamos com projetos encaminhados para melhorar a qualidade do ensino nas escolas públicas de Feira de Santana.”

Marcela Moura, educadora do ensino fundamental 1, falou sobre os desafios enfrentados pelos professores:

“Vejo com grande importância esse movimento, pois a nossa evasão escolar ainda é muito grande. Temos alunos no ensino fundamental 2 que ainda não estão alfabetizados. Acredito que, com este projeto, conseguiremos alfabetizar esses alunos mais rapidamente e reduzir a evasão escolar, especialmente porque muitos abandonam a escola por se sentirem incapazes de acompanhar o ritmo da turma. Isso acaba dificultando suas vidas dentro da sala de aula.”

Marcela afirmou que a falta de acompanhamento familiar é um dos maiores desafios na alfabetização das crianças:

“Observamos que os familiares estão muito ocupados, muitas vezes trabalhando para sustentar a família, e acabam não conseguindo acompanhar a educação dos filhos fora da escola. Dentro da escola, temos dificuldades no acesso a esses familiares devido a comportamentos ou até mesmo questões relacionadas ao material escolar. Muitas vezes, os professores precisam gastar do próprio bolso para suprir a falta de recursos. Algumas escolas têm bibliotecas, outras não, e isso dificulta o acesso a livros, especialmente os ilustrados.”

Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações: Fernanda Martins. Fotos:Fernanda Martins

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