Dia 15 de outubro é comemorado o Dia do Professor.
No Brasil, a criação dessa data está associada à Lei de 15 de outubro de 1827, assinada por D. Pedro I. A celebração reconhece a importância dos profissionais da educação que contribuem para a formação de inúmeras pessoas ao longo da vida.
Valéria Nancí de Macêdo Santana, professora, escritora, compositora, fotógrafa, pesquisadora, formada em 2000 pela Universidade Estadual de Feira de Santana, no curso de Licenciatura em Geografia, conversou com a reportagem do Dia a Dia News sobre a importância da profissão docente e os desafios enfrentados atualmente.
“A realidade naquela época, há 23 anos, realmente era outra. Trabalho numa escola do campo, próxima a Feira de Santana, e tínhamos uma clientela que considero mais próxima da gente, no sentido de não haver redes sociais ou acesso à internet, por exemplo.”
Ela continua:
“A internet trouxe muitas facilidades, coisas bacanas, encurtou a questão do tempo-espaço. Porém, também trouxe elementos que não foram tão positivos. Hoje, temos uma realidade em que o ChatGPT domina boa parte das pesquisas dos alunos. O que poderia ser apenas uma ferramenta de apoio, acaba sendo utilizada como ferramenta final. Isso é ruim. Muitos alunos fingem que produzem algo, um trabalho ou pesquisa, e nós, professores, temos que fingir que não percebemos.”
Sobre os desafios enfrentados pelos profissionais da educação, Valéria relata:
“O grande desafio é a conscientização. Sabemos que a internet e as redes sociais são realidades, mas elas não devem ser o fim em si mesmas. Elas podem e devem ser o meio para algo maior, inclusive como ferramentas para o trabalho e aprendizado futuro desses alunos.”
Em relação à evolução e às transformações ao longo dos anos, acrescenta:
“Muita coisa mudou desde então. São 23 anos de caminhada. Mas acredito que, quando conseguimos desenvolver o senso crítico nos alunos — e aqui digo ‘colocar na cabeça’ como sinônimo de trabalhar com eles —, estamos trilhando um bom caminho. Sinto-me privilegiada por, mesmo diante de tantos desafios, ter alunos que pensam e agem dessa forma, e que respeitam a ideia de que é preciso construir um pensamento crítico com base nas próprias ideias.”
A professora Valéria conclui:
“O que considero importante dizer é que conhecemos bem a realidade atual, mas não podemos fingir costume. A afetividade também se perdeu com o tempo, justamente porque alguns alunos passaram a acreditar que não precisam mais do professor. Sabemos que muitas outras mudanças ainda virão, mas, independentemente delas, se conseguirmos manter nosso propósito como educadores de mostrar o caminho mais correto, tudo dá certo no final.”
“Nas linhas de cada história de vida, há sempre um trecho que revela as experiências de um personagem especial: os professores.”
— Helô Coelho
Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações Fernanda Martins. Foto:Divulgação