10º Encontro de Tatuadores de Feira de Santana reúne artistas de todo o Brasil

O 10º Encontro de Tatuadores de Feira de Santana, realizado nos dias 17, 18 e 19 de outubro de 2025,no Centro Social Urbano (CSU), Cidade Nova, contou com a presença de diversos profissionais vindos de vários estados do país.

Tatuador e idealizador do evento, Zé Tattoo conversou com a reportagem do Dia a Dia News sobre como surgiu a ideia de criar um encontro exclusivo para tatuadores.

“Eu já tenho 30 anos de tatuagem e comecei a participar de outros eventos em outros estados. A galera sempre me perguntava por que eu não fazia um evento aqui em Feira de Santana. Recebi apoio, e quando a gente tem apoio tudo fica mais fácil. Então comecei a realizar o evento, o pessoal gostou, e agora já estamos na décima edição.”

Ele também fez um comparativo entre a primeira edição e a atual:

“Na primeira edição começamos com 30 tatuadores, hoje temos 80. Isso mostra que a galera está conhecendo o nosso trabalho, o mercado está crescendo e evoluindo. Pra mim, é muito importante ver esse reconhecimento, que já chegou não só ao Brasil, mas também ao mundo todo.”

Um dos participantes foi o tatuador Evandro Pipoca, do Rio de Janeiro (RJ), que falou sobre a emoção de participar de mais uma edição e sobre sua amizade com Zé Tattoo:

Evandro Pipoca

“É emocionante prestigiar um irmão. Já participei de outras edições e fiz questão de não faltar nesta, porque o considero muito pra mim ele é como um irmão, um amigo. O evento começou ontem e eu fiz questão de estar aqui hoje, mesmo com sacrifício, porque vale a pena apoiar quem a gente admira.”

Evandro também comentou sobre a evolução da percepção das pessoas em relação à tatuagem:

“Hoje está mais gratificante, porque a arte vem sendo mais reconhecida e valorizada. Com o tempo, os desenhos também mudaram. Antigamente havia preconceito ou apologia, mas isso ficou pra trás. Agora é arte mesmo como uma pintura, um quadro. Existem muitos estilos: realismo, preto e branco, colorido, old school, oriental, preto e cinza, aquarela, fan art… A tatuagem se diversificou muito.”

O tatuador Mauro Franco, de Espírito Santo (ES), participou pela quarta vez do encontro e destacou o acolhimento e a importância do evento para a categoria:

Mauro Franco

“Essa já é a quarta edição que participo. A galera daqui nos recebe de uma forma muito especial. O evento contribui para a evolução do nosso trabalho e é algo que agrega à nossa profissão. Além disso, tem um clima bem familiar, com muita troca de informação e aprendizado.”

Outro destaque foi Alan Siqueira, também do Espírito Santo, tatuador e um dos jurados do evento. Ele explicou como é feito o julgamento das tatuagens:

Alan Siqueira

“Todas as tatuagens são bonitas, afinal, são obras de artistas profissionais. Mas, como se trata de uma competição, nós, jurados, buscamos identificar erros. Avaliamos anatomia, encaixe anatômico, pigmentação e firmeza dos traços. São esses critérios que usamos para tirar pontos, e não para somar, porque todos os trabalhos têm sua beleza.”

Sobre o que caracteriza uma tatuagem perfeita, Alan complementou:

“A primeira coisa é o impacto visual a tatuagem precisa chamar a atenção. Depois vem a parte técnica: pigmentação sólida, sem espaços de pele, e traços firmes e bem finalizados. O encaixe anatômico também é fundamental. Às vezes o trabalho é bonito, mas se está mal posicionado, perde toda a harmonia.”

O tatuador Lucas Hook, de Salvador (BA), também atuou como jurado e explicou o que define um encaixe perfeito:

Lucas Hook

“Um bom encaixe é quando o trabalho está orientado para o sentido da visão. Se a tatuagem estiver virada para trás, a primeira coisa que se vê são as costas da imagem, e isso não é legal. Às vezes o desenho nem precisa estar 100% perfeito, mas se estiver bem encaixado, fica muito mais bonito e agradável. É quando você olha e percebe que foi feito exatamente para aquele lugar do corpo.”

Lucas finalizou contando como descobriu sua paixão pela tatuagem:

“A tatuagem surgiu meio que do nada pra mim. Comecei acompanhando um amigo que tatuava, fiz minha primeira tatuagem e acabei me apaixonando. Ser tatuador é algo que a gente precisa gostar de verdade, querer desenvolver e se dedicar.”

Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações Fernanda Martins. Fotos: Fernanda Martins

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