A partir do ano que vem, ansiedade, estresse, burnout e outros riscos à saúde mental causados pelo ambiente de trabalho poderão gerar penalizações. A nova Norma Regulamentadora 1 (NR-1), atualizada pelo Ministério do Trabalho e que entra em vigor em maio de 2026, obriga empresas de todo o país a identificar e gerenciar os riscos psicossociais aos quais os funcionários estão expostos. Nesta quinta-feira (16), especialistas baianos alertaram sobre as implicações da NR-1 e deram dicas de como se adequar às novas exigências, promovendo um ambiente psicologicamente saudável.
Matheus Brito, psicólogo organizacional da Santa Casa de Misericórdia de Feira de Santana, psicanalista, MBA em Gestão Estratégica de Pessoas, especialista em Gestão de Pessoas, com pós-graduações em Psicologia Organizacional e Psicologia Clínica, conversou com a reportagem do Dia a Dia News. Ele explicou como os colaboradores podem chegar ao burnout e de que forma as empresas podem identificar e ajudar esses profissionais.

“O esgotamento profissional, conhecido como burnout, manifesta-se de forma repentina. Resulta de uma sobrecarga de trabalho, na qual o ambiente exige mais do que a pessoa consegue gerenciar. É um transtorno relacionado ao estresse ocupacional, caracterizado por exaustão emocional.”
Sobre os sintomas, ele explica:
“A pessoa começa a se sentir fatigada, inclusive fora do ambiente de trabalho. É diferente do cansaço comum, aquele que se resolve com descanso e sono. No burnout, há uma desconexão emocional, assemelhando-se a quadros depressivos, porém fortemente associados ao trabalho.”
Matheus continua:
“Esse cenário geralmente ocorre quando o colaborador está sob pressão constante, em um ambiente com metas inatingíveis e poucos incentivos, onde o reconhecimento e o apoio são escassos, resultando em uma gestão que privilegia a pressão.”
Quanto à NR-1, o especialista destacou que a norma já existia, mas sua atenção se concentrava principalmente em riscos ergonômicos.
“A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que os transtornos mentais, incluindo os psiquiátricos, se tornarão a principal causa de afastamento do trabalho até 2030. Diante disso, o governo federal considerou essencial que as instituições se adaptem a essas novas exigências, com o objetivo de prevenir o agravamento da situação.”
“As empresas deverão identificar, avaliar e gerenciar os riscos psicossociais, como estresse, ansiedade e burnout. O gerenciamento envolve a identificação desses riscos, a avaliação de sua gravidade utilizando tabelas fornecidas na atualização da NR-1 e a implementação de medidas para mitigar os impactos”, concluiu.
Matheus também ressaltou o trabalho que vem desenvolvendo na Santa Casa de Misericórdia, onde criou um programa de acolhimento psicológico um espaço onde os colaboradores recebem apoio e orientação. Além disso, implantou um programa de ginástica laboral, proporcionando momentos de pausa e interação social, com foco na redução do estresse.
Sobre as normas que as empresas devem adotar para melhorar o bem-estar dos funcionários, afirmou:
“Desde 2025, a NR-1 entrou em vigor, embora as empresas tenham recebido um prazo estendido para se adequar, reconhecendo a necessidade de preparo. Essa é uma oportunidade valiosa para as empresas evoluírem, compreendendo a importância do fator humano e reconhecendo que, sem as pessoas, não há sucesso. A norma traz uma perspectiva moderna sobre segurança e saúde no trabalho, incluindo os riscos psicossociais.”
Matheus finalizou:
“Na prática, isso implica mapear o clima organizacional, realizar pesquisas de satisfação dos colaboradores, revisar metas e desenvolver treinamentos para as lideranças. Lideranças hostis e centralizadoras devem ser substituídas por abordagens que priorizem a conexão, o apoio e a parceria. A implementação dessas ações preventivas resulta na redução dos afastamentos por questões psicoemocionais, no aumento do engajamento dos colaboradores, na diminuição da rotatividade que é um problema significativo no Brasil e consequentemente, na melhoria da produtividade e da reputação da empresa.”
Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações Fernanda Martins. Foto:Divulgação
