O Dia Internacional de Atenção à Gagueira, foi foi instituído pela Associação Internacional de Fluência (IFA) e pela Associação Internacional de Gagueira (ISA), no dia 22 de outubro de 1988. A data tornou-se uma referência para a promoção da desmistificação de diversos aspectos relacionados à gagueira, além de estimular a conscientização sobre o tema.
Um levantamento realizado pelo IBGE estima que cerca de 2 milhões de pessoas gaguejam de forma crônica no Brasil. Calcula-se, ainda, que 5% das crianças apresentem gagueira, geralmente manifestada antes dos 6 anos de idade.
O fonoaudiólogo é um dos profissionais que atuam no tratamento da disfluência na fala, como é denominada a gagueira.
A reportagem do Dia a Dia News conversou com Érika Bittencourt, fonoaudióloga há 14 anos, especialista em audiologia clínica e reabilitação auditiva, que explicou mais sobre a gagueira:

A fonoaudióloga destaca a importância da conscientização sobre a gagueira e ressalta que a data é fundamental para informar e combater preconceitos, promovendo empatia e respeito.
“A gagueira é um distúrbio da fluência da fala que atinge cerca de 1% da população mundial. Ao contrário do que muita gente pensa, ela não é causada por nervosismo, ansiedade ou timidez. Trata-se de uma condição neurobiológica, que geralmente começa na infância, entre os dois e cinco anos de idade, e pode acompanhar a pessoa por toda a vida”, destacou.
Érika afirma que quem gagueja sabe exatamente o que quer dizer, mas, em alguns momentos, há dificuldade para coordenar os movimentos da fala com a respiração.
“Isso pode gerar bloqueios, repetições ou até prolongamentos involuntários das palavras durante a fala. Não podemos esquecer que, infelizmente, o maior desafio para muitas dessas pessoas não é a gagueira em si, mas o julgamento das outras pessoas. Ainda existe muito preconceito, estigma e até piadas de mau gosto, que ferem, machucam e silenciam.”
Ela continua:
“Como fonoaudióloga, vejo todos os dias como a terapia pode ajudar no desenvolvimento de habilidades de comunicação, autoconfiança e autorregulação. Mas também percebo algo extremamente importante: um ambiente de escuta acolhedora e sem pressa pode fazer toda a diferença.”
A fonoaudióloga finaliza com orientações valiosas:
“Se você conhece alguém que gagueja, não interrompa, não complete frases e não apresse a fala, apenas escute com atenção e respeito. E, se você gagueja, saiba que sua voz importa, que você não está sozinho e que há profissionais e grupos preparados para te apoiar nessa jornada, com empatia, ciência e acolhimento. A gagueira não precisa ser vencida, ela precisa ser compreendida.”
Fonte:Fernanda Martins, com informações Fernanda Martins. Foto:Divulgação
