Outubro Rosa é um movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure.
A data, celebrada anualmente, tem como objetivo compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença; proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e tratamento; e contribuir para a redução da mortalidade.
Desde 2020, com a pandemia da COVID-19, os grupos que atuam no combate ao câncer de mama precisaram repensar suas campanhas do Outubro Rosa e ampliar sua presença virtual. Por meio de intervenções, campanhas e mensagens inovadoras, foi possível demonstrar que a promoção da saúde pública pode assumir diversas formas e gerar um impacto significativo no acesso à saúde.
A Dra. Jéssica Portella, médica mastologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia, destaca a importância e segurança da mamografia.
Sobre o número de diagnósticos de mulheres com câncer de mama, relatou:
“Durante a pandemia da COVID-19 tivemos um impacto muito grande. Houve muitos atrasos no tratamento, muitas pacientes deixaram de fazer mamografia e ultrassom com medo justamente da COVID. Então, principalmente a partir de 2022, notamos um aumento dos casos que ficaram acumulados nesse período e, infelizmente, muitos diagnósticos já em estágio avançado, justamente devido ao atraso na realização desses exames.”
A especialista continua:
“O INCA, que é o Instituto Nacional de Câncer, estima mais de 70 mil novos casos de câncer de mama por ano no Brasil. É o tipo de câncer que mais acomete as mulheres atualmente, o que reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.”
Ela conclui:
“Feira de Santana faz parte desse grande contexto. A grande questão aqui é que recebemos muitas pacientes do interior. Às vezes até parece que há um número maior de casos, mas isso se deve ao fato de que recebemos muitas pacientes da região, que vêm para Feira em busca de atendimento e tratamento especializado. O tratamento do câncer de mama é multidisciplinar.”
Em relação ao tratamento, explicou:
“É um tratamento que envolve o mastologista para a cirurgia, o oncologista, e também um serviço de radioterapia. É um processo mais complexo, que não está disponível em todos os locais. Por isso, Feira de Santana tem um papel importante para toda a região.”
A Dra. Jéssica afirma que a mamografia é considerada o principal exame para a detecção precoce do câncer de mama:
“Antigamente, acreditava-se que o autoexame era suficiente para o diagnóstico precoce. Mas os estudos mostraram que, quando a paciente já sentia um nódulo, geralmente não era mais um estágio tão inicial da doença. Observou-se que a mamografia conseguia identificar alterações antes mesmo do surgimento de sintomas. Com isso, tornou-se possível fazer diagnósticos mais precoces. Os estudos mostraram que a realização regular da mamografia reduz a mortalidade por câncer de mama. Ou seja, as pacientes que faziam o rastreio corretamente tinham diagnósticos mais precoces e, consequentemente, menor risco de morte, em comparação com aquelas que apenas realizavam o autoexame.”
Ela também comenta sobre a ampliação da faixa etária atendida pelo SUS:
“Antes, o rastreamento com mamografia a partir dos 40 anos era recomendado apenas pela Sociedade Brasileira de Mastologia. Mas, recentemente, o SUS também passou a oferecer mamografia a partir dos 40 anos, antes, era apenas a partir dos 50. Essa diferença era preocupante, porque deixava de fora diagnóstico em mulheres mais jovens. Infelizmente, temos visto um aumento no número de casos em pacientes abaixo dos 50 anos, o que acende um alerta para que mulheres jovens também fiquem atentas aos exames.”
A médica mastologista alertou para a importância do diagnóstico precoce, ressaltando que, ao identificar um nódulo de apenas um centímetro, é possível realizar apenas uma cirurgia conservadora (quadrantectomia), sem a necessidade de retirar toda a mama. Em alguns casos, a paciente pode até evitar a quimioterapia, precisando apenas da radioterapia:
“Hoje sabemos que, quando o câncer é diagnosticado logo no início, a taxa de cura ultrapassa 90%, o que é um índice muito alto. Por isso falamos tanto sobre a importância desse diagnóstico precoce, para que as mulheres não tenham medo de fazer os exames. É uma doença que mexe muito com a autoestima da mulher.”
Sobre os hábitos saudáveis que podem ajudar na prevenção, ela destacou:
“O câncer de mama é uma doença multifatorial, ou seja, vários fatores influenciam. Por isso, tudo o que pudermos fazer para reduzir o risco já ajuda. Está comprovado que a prática regular de atividade física ajuda a controlar a parte hormonal e inflamatória do corpo, o que reduz as chances de desenvolver câncer de mama. Uma alimentação equilibrada, rica em fibras, legumes e verduras e também é um fator de proteção. Além disso, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas aumenta o risco da doença, então deve ser evitado.”
Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações Miro Nascimento\Biblioteca virtual em saúde. Foto:Divulgação