Deus benza. Imagine você vasculhando uma casa do interior fechada da família e encontra um quadro de Jesus, daquela que sua avó costumava estampar na parede. De repente, o susto que todo mundo queria ter: a tal obra de arte empoeirada pertence a um famoso pintor e está avaliada em mais de R$ 14 milhões. Oh, glória! Foi justamente o que aconteceu com a obra perdida ‘Cristo na Cruz’ (quanta criatividade), de Peter Paul Rubens, pintada em 1613 e encontrada numa mansão velha em Paris, em setembro. Ela foi leiloada no último domingo (30), por 2,3 milhões de euros, no pregão realizado pela casa Osenat, em Versailles.
Mestre barroco, Peter Paul é muito conceituado no mundo da arte e deve ter mais obras dele por aí, já que ele pintava para a igreja, mas também muitas famílias europeias encomendaram sua obra. A venda mostra a importância das redescobertas de obras perdidas ao longo dos séculos e demonstra como as investigações cuidadosas em acervos privados podem revelar tesouros esquecidos. Especialistas apontam que a peça estava em excelente estado de conservação, sem necessidade de restauração antes do leilão.
O gesto de Jesus crucificado remete diretamente ao contexto religioso e simbólico intenso dominante no período barroco e reforça a excelência técnica de Rubens. Contudo, esta obra está longe de ser a mais cara quando o assunto é Jesus Cristo. A pintura “Salvator Mundi”, de Leonardo da Vinci, é a obra com representação do Messias mais cara da história, vendida por mais de 450 milhões de dólares.
Peter Paul Rubens nasceu em 1577, na região flamenga (atual Bélgica), e se tornou uma figura central do barroco europeu no século XVII. Sua arte se caracteriza pelo uso dramático da luz e sombra, pela vivacidade das cores e pela expressividade intensa dos corpos, seja em composições religiosas, mitológicas ou históricas.
Rubens liderou um grande atelier, onde, com a ajuda de assistentes, produziu inúmeras pinturas. Isso explica parte da dificuldade de rastrear algumas obras: muitas saíram do domínio público e foram integradas a coleções privadas ou confundidas com criações de seus discípulos.
Para historiadores da arte e especialistas no barroco, a obra representa não apenas um achado em termos de patrimônio, mas também uma oportunidade de revisitar os processos criativos de Rubens e entender melhor o contexto religioso e cultural da Europa do século XVII.
Fonte:Jornal Correios Foto:Divulgação