Canetas emagrecedoras: avanço no tratamento da obesidade ou risco à saúde?

As famosas “canetas emagrecedoras”, conhecidas por marcas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, são medicamentos injetáveis que imitam um hormônio liberado após a alimentação, o GLP-1, responsável por controlar o apetite e prolongar a sensação de saciedade. O Mounjaro atua também sobre outro hormônio, o GIP. Esses medicamentos são usados principalmente no tratamento da obesidade e de outras condições relacionadas ao peso.

No entanto, o uso sem acompanhamento médico é arriscado e pode trazer sérios danos à saúde.

Em entrevista ao Dia a Dia News, a médica endocrinologista Ana Mayra Andrade de Oliveira explicou os prós e contras do uso das canetas emagrecedoras, tanto para fins estéticos quanto para o tratamento da obesidade.

A especialista destaca que a obesidade é uma doença crônica e deve ser tratada como tal, pois traz complicações a curto, médio e longo prazo. Segundo ela, estamos vivendo uma era de avanços importantes:

“Com base em estudos, entendemos melhor as causas do aumento de peso. Hoje conhecemos mais sobre a base da obesidade, e esse conhecimento permitiu o desenvolvimento dessas novas drogas. Estamos numa era muito feliz para o tratamento da obesidade, que agora é vista como uma doença que precisa ser tratada.”

A médica afirma que atualmente existem diversas estratégias, medicamentosas ou não que antes não estavam disponíveis.

“A obesidade era vista como uma doença de caráter, como se a pessoa quisesse ser obesa. Isso não é verdade. Com esse novo entendimento, foram desenvolvidas as canetas emagrecedoras, que representam um grupo de drogas formadas por análogos simples, duplos e agora triplos de hormônios como GLP-1, GIP e glucagon. Foram criadas formulações específicas para esse fim.”

Sobre o uso das canetas, ela reforça:

“É necessário ter indicação, realizar exames antes da utilização e garantir o acompanhamento profissional. Isso é fundamental. Não existe resultado excelente sem que, paralelamente ao uso das canetas, haja mudança no estilo de vida. Procurar uma nutricionista, adotar uma alimentação adequada e praticar exercícios físicos regularmente é essencial.”

A endocrinologista ressalta que o tratamento não se resume ao medicamento, mas envolve um conjunto de fatores.

Em relação aos riscos do uso inadequado, ela explica:

“Como toda medicação, essas canetas podem causar efeitos colaterais, especialmente gastrointestinais, como enjoo, vômitos, diarreia e prisão de ventre. Tudo precisa ser acompanhado. As empresas que desenvolvem essas drogas passam por rigorosos testes e controles de qualidade antes da liberação para uso.”

Ela conclui:

“Quando o produto é comprado em farmácia, o risco de problemas é muito menor, pois ele segue regras estabelecidas por instituições como a Anvisa.”

Ao comentar sobre o uso das canetas sem acompanhamento nutricional ou prática de exercícios, a médica alerta:

“Todo tratamento, se interrompido, resulta no retorno do problema. A obesidade é crônica. A caneta não cura; existe a possibilidade de reganho de peso. Esse reganho será maior quanto pior for o estilo de vida do indivíduo. Se a pessoa usa a caneta, perde peso, mas adota hábitos saudáveis, a tendência é que ainda assim haja algum reganho, mas muito menor.”

Sobre os critérios para indicação do medicamento, ela esclarece:

“Existem critérios bem definidos. Usamos o índice de massa corporal (IMC) para classificar o peso dos indivíduos. Em adultos, IMC acima de 25 indica sobrepeso; acima de 30, obesidade que pode ser grau 1, 2 ou 3. Se a pessoa tem sobrepeso associado a alguma condição agravada pelo excesso de peso, ela já se enquadra nos critérios para o uso das canetas, sempre combinado à mudança de estilo de vida.”

Escrita pela Estagiária Fernanda Martins, com informações Fernanda Martins. Fotos:Divulgação

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