Fumacê é última medida no combate às arboviroses, explica gerente do Núcleo Regional de Saúde

O uso do carro fumacê no combate à dengue, zika e chikungunya deve ser feito apenas em situações específicas e não como medida de rotina. A informação é de Marcelo Barbosa, gerente das arboviroses do Núcleo Regional de Saúde Centro-Leste, que atende atualmente 72 municípios da região.

De acordo com Marcelo, o ano foi considerado tranquilo em relação às arboviroses, resultado do trabalho preventivo realizado pelos municípios. Segundo ele, o sistema de UBV pesado, conhecido como fumacê, foi pouco utilizado porque as ações de prevenção conseguiram evitar epidemias. Ele reforça que o fumacê é sempre a última etapa do programa de controle da dengue, zika e chikungunya.

Foto: Miro Nascimento

Marcelo explicou que existe um entendimento equivocado por parte da população, que costuma pedir o carro fumacê para combater muriçocas. No entanto, essa não é a função do equipamento. O fumacê tem como objetivo eliminar o mosquito Aedes aegypti na fase adulta, interrompendo a transmissão das doenças, e não acabar com insetos comuns. Por isso, ele só pode ser utilizado quando todas as outras ações do programa já foram realizadas e, mesmo assim, o município entra em situação de epidemia.

A liberação do carro fumacê segue critérios técnicos rigorosos. Quando um município enfrenta aumento expressivo de casos, o pedido é feito ao Núcleo Regional de Saúde, que encaminha a solicitação à Secretaria da Saúde do Estado, por meio da Divisão de Vigilância Epidemiológica. Após análise técnica, o uso pode ser autorizado. Atualmente, a central de UBV pesado que atende a região fica no município de Serrinha.

Segundo Marcelo Barbosa, o uso indiscriminado do fumacê pode causar um problema sério: a resistência do mosquito ao inseticida. Ele explicou que o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde recomendam a troca periódica dos produtos exatamente para evitar que o Aedes aegypti se torne resistente. Caso o fumacê seja utilizado de forma aleatória, quando houver uma epidemia de dengue, o produto pode não ter mais efeito.

Sobre a presença de muriçocas, Marcelo destacou que o combate não depende do fumacê, mas principalmente de investimentos em saneamento básico. Bairros que ainda possuem córregos abertos, falta de drenagem e esgoto a céu aberto tendem a apresentar maior quantidade desses insetos. Já locais com saneamento adequado enfrentam menos problemas.

Apesar do cenário positivo neste ano, o gerente das arboviroses alertou para o período do verão, quando as chuvas favorecem a proliferação do mosquito. Ele lembrou que cerca de 90% dos focos do Aedes aegypti ainda estão dentro das residências. Os agentes de endemias realizam visitas periódicas, mas a maior parte da prevenção depende da colaboração da população, que deve evitar o acúmulo de água parada em recipientes e vasilhames.

Marcelo Barbosa reforçou que a vigilância precisa ser contínua para evitar novas epidemias no futuro e destacou a importância da parceria com a imprensa na orientação da população. Segundo ele, a informação correta é uma das principais ferramentas no combate às arboviroses.

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