A direção municipal do União Brasil em Feira de Santana anunciou que irá recorrer da decisão da Justiça Eleitoral que apontou irregularidades na prestação de contas do partido referentes ao exercício de 2022. O processo envolve recursos do fundo partidário e identifica supostas falhas em mais de 79% do total analisado, o que representa cerca de R$ 632 mil, valor que poderá ser devolvido aos cofres públicos com correção monetária e juros.
O atual presidente do União Brasil no município, Zé Chico, afirmou que a situação é anterior à sua gestão e remonta ao período de reorganização partidária após a fusão entre o PSL e o DEM, que deu origem ao União Brasil, em 2021. Naquele momento, a presidência municipal era exercida pela deputada federal Daiane Pimentel.
De acordo com Zé Chico, após as eleições de 2022, o partido passou a enfrentar problemas relacionados à prestação de contas daquele exercício. Em 2023, a presidência municipal foi assumida por Mário Borges, e somente no final de 2025 a atual gestão passou a responder oficialmente pelo diretório em Feira de Santana.
“Essa é uma situação datada de 2022. Quando assumimos, já tínhamos conhecimento da existência do processo, mas não do seu detalhamento. Agora, com a decisão judicial, vamos recorrer para entender exatamente quais foram as falhas apontadas”, explicou o dirigente.
Segundo dados da Justiça Eleitoral, o total de despesas analisadas foi de aproximadamente R$ 790.904,50, custeadas com recursos públicos oriundos do fundo partidário. Desse montante, R$ 632.663,60 teriam sido considerados irregulares, o equivalente a cerca de 79% do total.
Zé Chico ressaltou que o diretório municipal não dispõe de recursos financeiros para arcar com uma eventual devolução dessa quantia, caso a decisão seja mantida. “Os recursos que recebemos mensalmente são destinados apenas à manutenção básica do partido. Um valor dessa ordem inviabilizaria o funcionamento do diretório”, afirmou.
A defesa está sendo conduzida pela advogada do partido em Feira de Santana, doutora Lívia, que já trabalha na elaboração do recurso. O caso também foi comunicado às direções estadual e nacional do União Brasil, que acompanham o andamento do processo.
“O primeiro passo é recorrer. Depois disso, vamos nos debruçar sobre o processo para entender o que foi feito em 2022, identificar as falhas apontadas e verificar se há elementos para uma defesa consistente”, disse Zé Chico, acrescentando que a atual gestão já está com a prestação de contas de 2025 em andamento.
O presidente destacou ainda que a situação não gera penalidades para filiados que ingressaram no partido após 2022, nem impede futuras candidaturas. “Se houver responsabilização, ela deve recair sobre quem fazia parte da gestão daquele período. Isso não atinge os filiados posteriores nem inviabiliza projetos eleitorais”, garantiu.
Sobre possíveis impactos políticos, Zé Chico afirmou que o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, principal liderança do União Brasil no município, já foi informado sobre o caso. “Ele tinha conhecimento da situação de forma geral. Agora, seguimos tratando o tema com total transparência”, disse.
A expectativa da direção municipal é que, com o apoio das instâncias estadual e nacional, o partido consiga esclarecer os fatos e buscar uma solução jurídica que minimize os impactos financeiros e políticos. “É uma questão séria, envolve recursos públicos e precisa ser tratada com responsabilidade e dentro do devido processo legal”, concluiu.