Em 1971, começa a história do orelhão, um projeto de Chu Ming Silveira, arquiteta nascida na China e criada no Brasil.
O telefone público funcionava com fichas telefônicas que, com o passar dos anos, foram substituídas por cartões.
Os orelhões eram usados com muita frequência por pessoas que desejavam falar com parentes e amigos, principalmente no início dos anos 2000, quando parte da população ainda não tinha telefone em casa. A cabine funcionava como um meio rápido de comunicação.
Porém, a partir deste mês de janeiro, os orelhões começaram a ser retirados das ruas.
Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), cerca de 38 mil aparelhos ainda permanecem em funcionamento no território nacional.
A reportagem do Dia a Dia News foi às ruas de Feira de Santana e conversou com pessoas que utilizaram o tão famoso “orelhão”.
Joana Angélica, de 32 anos, destaca que utilizou bastante o telefone público, mas afirma que hoje não sente falta:
“Utilizei sim, muito, mas não sinto falta. Usei quando era cartão. Meus pais utilizavam, pois não havia outro meio de comunicação. Hoje não sinto falta, porque com a tecnologia ficou mais acessível usar o celular.”
Por outro lado, o comerciante Mário Wilson, de 40 anos, relata que também utilizava o orelhão e que não sente falta:
“Utilizei, na verdade. Depois desses negócios de telefone e internet, não sente mais falta, não. Utilizava mais para ligar para parentes. Não tinha celular para usar, então era o orelhão para ligar para a família.”
Apesar disso, ele relata que sente falta da existência de telefones públicos nas ruas:
“Eu uso o celular, mas às vezes ele fica sem internet ou sem rede. Nessas horas, o orelhão faria falta.”
Jucicléa Pinto, atendente de 30 anos, fez uma reflexão sobre a retirada dos orelhões:
“Utilizei por diversas vezes. Na nossa realidade, o orelhão facilitava bastante a comunicação entre minha mãe e os familiares dela, para saber notícias, como as pessoas estavam.”
Sobre a retirada, afirmou:
“Acho um absurdo. Acredito que não deveria acabar, porque nem 100% da população tem celular ou outros meios de comunicação para falar com familiares. O orelhão ajudaria bastante, principalmente a população carente, que muitas vezes vive na rua, mas quer manter contato com a família.”
Quase indispensáveis no passado, os orelhões se tornaram praticamente inexistentes com a popularização dos celulares. A retirada começa agora porque, no ano passado, encerraram-se as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos.
Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações:Fernanda Martins. Foto:Divulgação
