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Estiagem prolongada preocupa produtores rurais e eleva custos no campo

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Produtores rurais de diversos municípios enfrentam um cenário de forte preocupação diante da estiagem prolongada que atinge a região. Apesar do registro de duas chuvas recentes em alguns pontos isolados, a situação ainda é considerada crítica, principalmente para localidades onde a chuva não chegou de forma regular.

Segundo Joelmo Figueredo, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, as precipitações registradas foram classificadas como “chuvas de manga”, termo usado para definir chuvas irregulares, que atingem áreas pontuais e deixam outras completamente descobertas. Nessas regiões sem chuva, a falta de água e de alimento para os animais segue sendo um dos maiores desafios.

As reservas hídricas estão se esgotando e, embora em algumas fazendas tenha sido possível acumular água com as últimas chuvas, a maioria dos produtores continua dependendo da compra de insumos externos. Caminhões-pipa têm sido utilizados para abastecer propriedades, enquanto a alimentação do gado vem sendo garantida, principalmente, por meio de silagem e feno.

Foto: Miro Nascimento

De acordo com Joelmo Figueredo, a compra de água e ração já é uma realidade para muitas propriedades. O custo da silagem permanece semelhante ao do ano passado, mas o transporte de água teve aumento significativo em 2026, impactado pelo preço do diesel e pela operação dos caminhões-pipa.

A estiagem afeta diretamente a produção pecuária, tanto de corte quanto leiteira. No caso do gado de corte, os custos adicionais com alimentação e água interferem no ganho de peso dos animais e elevam o valor do bezerro até a fase de abate. Já na pecuária leiteira, a situação é ainda mais delicada. O preço pago ao produtor pelo litro do leite permanece baixo e, segundo relatos, não cobre os custos de produção, levando muitos a abandonarem a atividade.

Em relação ao mercado, o preço da arroba do boi apresentou estabilidade, variando entre R$ 300 e R$ 320. Com isso, a expectativa é de que o preço da carne ao consumidor final também se mantenha estável, pelo menos no curto prazo.

A esperança do produtor agora se volta para o mês de fevereiro, período em que são esperadas novas chuvas. Caso elas se confirmem, será possível iniciar a recuperação das pastagens para que, em março, os animais voltem a se alimentar do capim. No entanto, se fevereiro terminar sem chuvas consistentes, o mês de março pode trazer ainda mais dificuldades.

Joelmo Figueredo alerta que, embora grandes produtores consigam evitar perdas mais severas por meio da compra de insumos, pequenos produtores estão mais vulneráveis. Muitos não têm recursos para comprar alimento e água, nem condições favoráveis para vender o rebanho neste momento, o que pode resultar na perda de animais por falta de alimentação.

A estiagem já se estende desde outubro, com volumes insuficientes de chuva em novembro e dezembro, agravando a situação em janeiro. Além da chuva, outro desafio será a recuperação das pastagens, processo que pode levar mais de 30 dias e exige áreas alternativas para manter o gado alimentado durante esse período.

Enquanto aguardam por chuvas mais regulares, produtores seguem apreensivos, lidando com custos elevados e incertezas sobre os próximos meses, na expectativa de que o clima permita a retomada gradual da produção no campo.

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