O presidente do Vitória, Fábio Mota, fez um balanço detalhado sobre o momento do clube, o planejamento para a disputa do Campeonato Brasileiro da Série A e os desafios enfrentados dentro e fora de campo. Em entrevista, o dirigente ressaltou as dificuldades financeiras, a pesada logística enfrentada pelos clubes do Nordeste, as contratações para a temporada e a importância do fortalecimento da base rubro-negra.
Fábio Mota destacou a importância da vitória na estreia do Brasileirão, algo que o Vitória não conseguia há 17 anos em competições nacionais. Segundo ele, o resultado ajudou a melhorar o ambiente interno e deu mais confiança ao elenco. “O Campeonato Brasileiro não tem jogo fácil. Você precisa se superar o tempo todo. Estrear vencendo foi muito importante para o clube e para os jogadores”, afirmou. O presidente também lembrou a sequência dura de adversários e ressaltou que o Vitória precisa encarar os desafios sem reclamações. “Não escolhe adversário. Tem Flamengo, Palmeiras, Botafogo… é enfrentar e competir.”
Um dos pontos mais enfatizados pelo dirigente foi a logística. De acordo com ele, o Vitória está entre os clubes que mais viajam no Campeonato Brasileiro. “O Vitória, depois do Remo, é o clube que mais viaja no Brasil. São cerca de 60 mil quilômetros no campeonato, enquanto clubes do Rio e São Paulo viajam 25 ou 30 mil”, explicou. A queda de outros clubes nordestinos agravou ainda mais o problema. “Antes íamos a Fortaleza e Recife. Agora precisamos viajar para lugares como Belém e Chapecó. Isso aumenta custos e dificulta ainda mais.” Em tom provocativo, Fábio Mota afirmou que o Vitória é hoje o único clube nordestino “de verdade” na Série A. “O Bahia é um time inglês, bancado por dinheiro árabe.”
Sobre o elenco, o presidente garantiu que o Vitória praticamente fechou o grupo para a temporada. Alguns reforços ainda aguardam estreia, como o volante Martínez e um atacante argentino que chega a Salvador para exames médicos. Além deles, o clube contratou o ponta Lucas, que atuava no futebol japonês, o centroavante Pedro, já regularizado, e prepara a estreia de Marinho. Ao todo, de cinco a seis jogadores ainda devem entrar em campo nas próximas rodadas. “O professor Jair vai ter dor de cabeça para montar o time, mas isso é bom”, disse.
Fábio Mota destacou o esforço financeiro para manter peças importantes, como Érick, Baralhas e Ramon, além das reposições feitas em setores carentes do elenco. Ele foi direto ao falar sobre planejamento e afirmou que o principal problema do Vitória é a falta de dinheiro. Segundo ele, as cotas de TV só começam a entrar a partir de março, enquanto o campeonato começa em janeiro. “Você tem que fazer marabarismo. Contratar com pouco dinheiro e tentar acertar. Não é fácil”, afirmou. O dirigente comparou a realidade do Vitória com clubes como Flamengo e Palmeiras, que fazem poucas contratações por já possuírem elencos caros e consolidados. “A gente precisa contratar mais e, inevitavelmente, acaba errando também.”
O presidente reforçou que o fortalecimento da base é essencial para o Vitória competir em alto nível. Em 2026, o clube terá calendário completo nas categorias Sub-15, Sub-17 e Sub-20, além da Copa do Nordeste. “O Vitória sempre foi conhecido pela base. Estamos há quatro anos reestruturando, e os primeiros resultados estão aparecendo, com convocações para seleções de base”, destacou. Segundo ele, sem poder competir financeiramente com clubes do Sul e Sudeste, a solução é formar atletas. “Quando o Vitória chegou a finais nacionais, 70% do time era formado em casa.”
Sobre a possibilidade de virar SAF, Fábio Mota afirmou não ser contra o modelo, mas defendeu cautela. Para ele, poucas SAFs realmente funcionam no Brasil, citando Bahia e Bragantino como exemplos positivos. “O Vitória triplicou seu patrimônio desde que eu cheguei. Estamos estruturando tudo para fazer uma SAF forte, não para entregar o clube a aventureiros”, disse. O presidente revelou que o clube contratou um dos principais escritórios do país para estruturar o projeto e que busca investidores no exterior.
Fábio Mota também atualizou a situação da Arena Barradão. O Conselho Deliberativo já aprovou a primeira etapa do contrato, e a expectativa é que as autorizações finais ocorram em fevereiro. A construção deve começar no segundo semestre, após a liberação de licenças ambientais, alvarás e projetos. Por fim, comemorou a profissionalização da arbitragem no futebol brasileiro e defendeu a implementação do fair play financeiro. “Não é justo clubes endividados continuarem gastando e competindo com quem paga salários em dia. O fair play e a profissionalização da arbitragem chegam atrasados, mas chegam na hora certa”, concluiu.