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É insuficiente o número de para-raios em Feira de Santana, afirma engenheiro eletricista

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Os primeiros dias do ano chegaram com fortes chuvas, acompanhadas por elevada incidência de raios e ventos intensos em dezenas de municípios da Bahia.

Em 2025, a média diária de raios no estado foi de cerca de 10 mil registros, com os primeiros dias do ano apresentando menos de 5 mil ocorrências diárias. Já em 2026, os números foram significativamente mais elevados: apenas nos três primeiros dias de janeiro, foram registradas mais de 150 mil descargas atmosféricas em cidades baianas.

Com a aproximação das trovoadas e diante dos recentes registros de quedas de raios em regiões próximas a Feira de Santana, o âncora do programa Dia a Dia News, Miro Nascimento, buscou informações com o engenheiro eletricista Deyvid Luan dos Santos sobre a situação dos para-raios, ou Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), no município.

“O termo ‘para-raios’ não se refere a afastar raios, mas sim a receber a descarga elétrica de forma segura. O sistema capta essa energia, conduzindo-a por um caminho seguro, por meio de condutores de descida, e a dissipa na estrutura, sem causar danos e, principalmente, sem colocar em risco a vida dos ocupantes”, explicou.

Em relação ao SPDA em Feira de Santana, o engenheiro destacou:

“A realidade que observamos é a seguinte: antigamente, a fiscalização desses sistemas não era tão rigorosa. No entanto, a partir de 2021, com a maior atuação do Corpo de Bombeiros, percebemos uma cobrança mais intensa na fiscalização de empreendimentos que necessitam de SPDA. Embora a conscientização sobre a importância desses sistemas tenha crescido, ainda é incomum encontrar instalações em perfeito estado e devidamente revisadas.”

Ele acrescentou:

“A fiscalização é de responsabilidade do Corpo de Bombeiros, com base no decreto de 2015 sobre segurança contra incêndios e pânico. A partir de 2021, essa fiscalização se intensificou, exigindo que os empreendimentos se adequem às normas.”

Deyvid também ressaltou os critérios específicos para a instalação de para-raios:

“Para determinar se uma edificação precisa de um sistema SPDA, realizamos uma avaliação da infraestrutura, considerando fatores como tamanho e altura. Prédios públicos e residenciais em Feira de Santana e na região também passam por essa análise.”

O engenheiro eletricista concluiu:

“Embora prédios públicos, em geral, demonstrem maior atenção a esses aspectos devido às suas responsabilidades cotidianas, a preocupação deveria ser uniforme. A prefeitura e o Corpo de Bombeiros precisam atuar em conjunto, pois, para a emissão de alvarás de funcionamento, a prefeitura exige um certificado de conformidade emitido pelo Corpo de Bombeiros, que inclui a adequação do SPDA. Essa comunicação e colaboração entre os órgãos são essenciais.”

Sobre os mitos relacionados aos raios, ele alertou:

“É perigoso ficar embaixo de árvores durante tempestades, pois, por sua altura e localização, elas podem atrair descargas atmosféricas. Em ambientes urbanos, a incidência de raios em árvores é menor, mas o risco existe. Quanto à recomendação de desligar aparelhos eletrônicos da tomada durante tempestades, o fator determinante para a proteção dos equipamentos é a existência ou não de um sistema SPDA. Se houver um sistema adequado, a descarga será dissipada de forma segura. Caso contrário, a probabilidade de danos aos aparelhos é alta.”

Sobre a quantidade de para-raios instalados em Feira de Santana, Deyvid afirmou:

“Muitas edificações antigas podem necessitar desses sistemas, mas não há dados precisos sobre a quantidade instalada. Observamos, no entanto, uma crescente demanda, especialmente com o aumento de empreendimentos verticais, como condomínios.”

Ele finalizou:

“A instalação de SPDA é obrigatória para condomínios, mediante aprovação do Corpo de Bombeiros. O custo pode ser elevado, dependendo do porte do empreendimento, mas, com a crescente verticalização da cidade, conforme defendido pela prefeitura, a implantação desses sistemas é fundamental para garantir a segurança das edificações e a proteção da população.”

Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações: Miro Nascimento. Foto:Divulgação

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