Laudo PF: Saúde de Bolsonaro exige cuidados mas ele pode ficar na Papudinha


O laudo pericial divulgado nesta sexta-feira (06) pelo ministro Alexandre de Moares traz a análise da Junta Médica Oficial da Polícia Federal que concluiu que o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro possui condições clínicas de continuar cumprindo pena na Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar (conhecida como “Papudinha”), no Complexo da Papuda.

Embora o documento ateste que a saúde do ex-mandatário demanda cuidados contínuos e monitoramento, os peritos negaram a necessidade de transferência para um hospital penitenciário ou prisão domiciliar.

A perícia foi solicitada pela defesa após um episódio de queda e relatos de debilidade física. O laudo de 53 páginas detalha uma série de doenças crônicas, mas classifica o quadro geral como “estável”.

Cuidados sim, hospital não
A principal conclusão dos peritos criminais federais é que, apesar da idade e das múltiplas doenças, o ambiente prisional atual é compatível com o tratamento, desde que sejam feitas adequações.

No documento, os médicos afirmam categoricamente:

“O quadro clínico geral do periciado é estável, não havendo necessidade de encaminhamento de urgência no momento. Por outro lado, é inegável a presença de comorbidades crônicas que ensejam controle e acompanhamento.”

A defesa alegava condições graves como pneumonia, anemia e depressão para justificar a saída da unidade. No entanto, o laudo não comprovou a existência dessas três condições específicas após os exames.

Lista de doenças confirmadas
O exame clínico direto e a análise de documentos médicos confirmaram que Bolsonaro é portador de sete condições principais que exigem “otimização terapêutica”:

Hipertensão arterial sistêmica;
Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) grave;
Obesidade clínica;
Aterosclerose sistêmica;
Doença do refluxo gastroesofágico;
Queratose actínica (lesões de pele);
Aderências intra-abdominais (decorrentes das múltiplas cirurgias)

Sobre a gravidade do caso, o laudo destaca: “Tais comorbidades não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar.”

Risco de quedas e “coquetel” de remédios
Um ponto de alerta levantado pela perícia diz respeito à medicação utilizada pelo ex-presidente, especialmente para o tratamento de soluços incoercíveis (uso de Clorpromazina e Gabapentina).

O laudo aponta que a interação entre os diversos medicamentos (polifarmácia) pode estar causando sedação excessiva e tonturas, o que explicaria o episódio recente de queda.

“O uso concomitante especialmente de medicamentos que atuam no sistema nervoso central e cardiovascular cria, portanto, um cenário farmacológico de risco, no qual os possíveis efeitos adversos – sedação, letargia, tontura […] – apresentam relação com o risco de queda”*, diz trecho da análise.

Adaptações na “Papudinha”
Para que Bolsonaro permaneça na unidade militar com segurança, a Polícia Federal estipulou uma série de exigências estruturais e de rotina. O local, que possui 38,5 m² na parte interna e conta com quarto-sala, copa e banheiro, precisará de ajustes para evitar novos acidentes.

Entre as recomendações obrigatórias listadas no laudo estão:

  1. Instalação de grades de apoio em corredores e no box do banheiro;
  2. Campainhas de pânico/emergência adicionais para monitoramento em tempo real;
  3. Acompanhamento contínuo nas áreas comuns;
  4. Dieta fracionada e acompanhamento nutricional rigoroso;
  5. Fisioterapia contínua para ganho de força muscular e equilíbrio.

O documento encerra confirmando que, com essas medidas paliativas e o devido acompanhamento multiprofissional, a execução penal pode seguir no local atual.

Fonte:Band.com Foto:Divulgação

Related posts

Moraes permite que Bolsonaro deixe prisão domiciliar para atendimento odontológico

PRF apreende 2,7 mil ampolas de tirzepatida em Feira

Bolsonaro pede ao STF autorização para atendimento odontológico com a nora