Vítimas de violência domestica recebem apoio em Feira de Santana

Foto: Paulo H.Carvalho/Agência Brasília

A violência contra a mulher é uma realidade que precisa ser enfrentada com seriedade, sensibilidade e ações contínuas. Nesse contexto, a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres desempenha um papel fundamental na proteção e na garantia de direitos.

A secretária Aldney Bastos, conhecida como Neinha, conversou com a reportagem do Dia a Dia News e explicou como funciona o acolhimento às mulheres em situação de violência atendidas pela pasta.

“Essa luta não é só minha, não é só sua. Essa luta é nossa, porque somos mulheres e merecemos respeito”

“O acolhimento inicial é fundamental. Após esse primeiro momento, as mulheres relatam suas experiências e, a partir da escuta qualificada, a equipe avalia cada caso e realiza os encaminhamentos necessários aos órgãos competentes. Muitas chegam fragilizadas e procuram diretamente a delegacia, mas a equipe social e a psicóloga, após avaliação, podem definir o melhor encaminhamento. O objetivo é garantir que a mulher receba a assistência adequada, seja na delegacia, no Ministério Público, ou por meio de medidas de proteção. A equipe multidisciplinar da Secretaria da Mulher acompanha todo o processo, desde a escuta inicial até o apoio jurídico e psicológico.”

Sobre os principais desafios enfrentados atualmente pela secretaria, Aldney destacou:

“O maior desafio é quebrar o silêncio que envolve a violência contra a mulher. Muitas mulheres ainda hesitam em denunciar. Em Feira de Santana, na Bahia, e em todo o mundo, a violência persiste. Precisamos reforçar a mensagem de que a mulher é livre e tem o direito de buscar ajuda.”

Segundo a secretária, esse silêncio está, muitas vezes, ligado à dependência financeira, que gera medo e insegurança para denunciar o agressor.

“A dependência financeira é um fator significativo. Mulheres que nunca trabalharam ou que estão em relacionamentos de longa data acabam sendo desvalorizadas e se sentem incapazes. Essa sensação pode impedir a busca por ajuda. Pensando nisso, a Secretaria da Mulher desenvolve o projeto ‘À Vez Dela’.”

Sobre a iniciativa, ela explicou:

“O projeto ‘À Vez Dela’ tem como objetivo apoiar mulheres que desejam romper o ciclo da violência, oferecendo oportunidades de trabalho e incentivando a independência financeira. A prioridade é ajudar essas mulheres a se reinserirem no mercado de trabalho e a conquistarem autonomia.”

Em relação à faixa etária das mulheres que mais procuram a secretaria, Aldney ressaltou que a maioria tem mais de 30 anos.

“São mulheres que, muitas vezes, priorizaram o relacionamento por causa dos filhos ou que viveram a violência por muito tempo sem perceber que estavam sendo vítimas. É importante destacar que a violência não se resume à agressão física. A desvalorização, o controle excessivo e a humilhação também são formas de violência.”

A secretária também falou sobre a influência da religião nesses casos:

“A religião pode influenciar, sim. Como evangélica há mais de 20 anos, observo que a fé não pode ser usada para justificar a violência. A mulher evangélica é livre para servir a Cristo e tem o direito de denunciar qualquer forma de violência, seja praticada pelo marido ou por qualquer outra pessoa, inclusive líderes religiosos. A Secretaria está disponível para oferecer apoio e orientação. Já atendemos diversas mulheres evangélicas que buscaram ajuda e hoje estão em segurança, reconstruindo suas vidas.”

A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres está localizada na Rua Castro Alves, nº 894, no Centro da cidade, em frente à Clínica São Felipe.

Mesmo sem a intenção imediata de registrar uma denúncia, mulheres que desejam conversar com a equipe de psicologia podem procurar o serviço, que oferece acolhimento e orientação.

A secretária finaliza com uma mensagem de apoio e esperança:

“Quero deixar uma mensagem de esperança para todas as mulheres que sofrem violência: a mudança começa em cada uma de nós. Precisamos nos unir e apoiar umas às outras. Juntas, podemos combater o feminicídio e a violência contra a mulher.”

Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações: Fernanda Martins. Foto:Paulo H.Carvalho/Agência Brasília /Fernanda Martins

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