Carlos Brito analisa transformações sociais e culturais em Feira de Santana

Foto: Divulgação

O presidente da Fundação Senhor dos Passos, Carlos Brito, afirmou que as mudanças no perfil social e urbano de Feira de Santana impactaram diretamente a cultura de convivência da cidade, contribuindo para o desaparecimento de clubes sociais e para a transformação dos espaços tradicionais de lazer.

Em entrevista, Brito destacou que o enfraquecimento dos clubes não pode ser atribuído a um único fator, mas a um processo mais amplo de transformação da sociedade.

“Você buscava clube como opção de lazer. A cidade cresceu, evoluiu, surgiram condomínios, novos espaços privados, e a violência também aumentou ao longo do tempo. Os clubes não resistiram, tanto pelo custo de manutenção quanto pela própria mudança no modo de viver das pessoas”, afirmou.

Segundo ele, a expansão urbana e a consolidação de condomínios fechados alteraram o modelo de convivência social. “Hoje as pessoas preferem ficar no próprio espaço, no seu habitat. Antes, a convivência era compartilhada, independentemente de classe social. A cidade se agigantou, virou uma metrópole, e você já não conhece mais o seu vizinho.”

Transformação cultural

Brito também relacionou essas mudanças ao comportamento cultural e à sobrevivência de instituições tradicionais, como as filarmônicas. Para ele, a evolução tecnológica e o crescimento populacional, marcado pela chegada de pessoas de diferentes regiões do país, contribuíram para a diversificação cultural e para a mudança de hábitos.

“Feira de Santana é uma cidade de encontros, com pessoas de todos os rincões do país. Isso transforma a cultura e o modo de viver. As novas gerações passaram a buscar outros referenciais de sucesso e qualidade de vida”, pontuou.

Ele destacou ainda que, no passado, os clubes funcionavam como espaços de integração social, onde o relacionamento era pautado pelo convívio e pelo caráter das pessoas, e não por diferenças econômicas.

Mudança dos espaços tradicionais

Ao comentar a transformação de antigos clubes da cidade, Brito citou exemplos emblemáticos, como o antigo Feira Tênis Clube, que hoje abriga um importante polo educacional, e o Clube de Campo Cajueiro, que deu lugar a um centro de convenções.

Segundo ele, essas mudanças fazem parte da evolução natural da cidade, mas reforçam a necessidade de preservar a memória histórica.

Preservação e tombamento

O presidente da Fundação explicou que o tombamento é um instrumento de proteção do patrimônio material, mas ressaltou que a preservação da história vai além das estruturas físicas.

“A feira livre do Centro de Abastecimento, por exemplo, é um bem imaterial. Existe o espaço físico, mas o que precisa ser preservado são os saberes e fazeres das pessoas”, destacou.

Para Brito, preservar é garantir continuidade. “Preservar para existir”, resumiu.

A noite feirense

Questionado sobre as mudanças na vida noturna da cidade, ele relembrou espaços tradicionais que marcaram gerações, como a Euterpe Feirense e antigos clubes sociais. Segundo ele, o cenário atual é resultado de um processo natural de transformação.

“É a vida que trata de transformar. Cabe a nós acompanhar essa evolução”, concluiu.

A entrevista reforça o debate sobre crescimento urbano, memória e identidade cultural em Feira de Santana, tema que segue mobilizando instituições e estudiosos da história local.

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