Após um longo período de estiagem, as chuvas que começaram a cair nos últimos dias reacenderam a esperança dos agricultores e agricultoras da zona rural de Feira de Santana. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, Adriana Lima, afirmou que o momento é de renovação da fé e de preparação do solo, especialmente com a proximidade do dia de São José, celebrado em 19 de março e tradicionalmente associado ao plantio no Nordeste.
Segundo Adriana, março é um mês simbólico para quem vive da agricultura familiar. “Estamos vivendo uma longa estiagem e o que acende a esperança do homem e da mulher do campo é a chuva. Estamos próximos ao dia de São José, data em que tradicionalmente se coloca a semente na terra. Plantando agora, no período do São João, teremos o nosso milho para assar na fogueira”, destacou.
A tradição de plantar no dia 19 de março atravessa gerações e faz parte do calendário cultural do agricultor nordestino. A expectativa é que, mantendo a terra úmida neste período, seja possível garantir uma boa colheita para as festas juninas. No entanto, a presidente do sindicato alerta que o plantio fora do calendário agrícola oficial do município pode trazer riscos.
De acordo com ela, caso haja perda da produção, o programa Garantia-Safra não cobre os agricultores que plantam fora do período estabelecido. Além disso, muitos produtores não estão inseridos no programa por não atenderem aos critérios exigidos. Mesmo assim, a decisão de plantar permanece firme entre os trabalhadores rurais. “A semente é própria, guardada pelo agricultor. E o agricultor é movido pela fé e pela esperança de dias melhores”, afirmou.
As chuvas foram registradas em todos os distritos do município, embora com intensidades diferentes. No distrito de Jaguara, houve registro de grande volume de água, inclusive com transbordamento da barragem local. Em comunidades mais distantes, como Barra, moradores relataram chuva forte e clima de alegria após meses de dificuldades provocadas pela seca.
Ainda não há um levantamento oficial detalhado sobre o volume de chuva em cada localidade, mas a avaliação inicial é positiva. Para o sindicato, o cenário renova a expectativa de um inverno mais favorável em 2026 e de uma colheita que garanta alimento e renda para as famílias do campo.
“Estamos com a esperança acesa de termos um bom inverno e uma boa colheita em nosso município”, concluiu Adriana Lima.