“Estado: para que e para quem? Universidades, Reforma Administrativa e as contradições atuais” é o tema da aula magna da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), que dá início ao semestre 2026.1. O evento acontece nesta segunda-feira (09), em dois momentos: às 9h, no Teatro da universidade, e às 19h, no Anfiteatro do Módulo 2.
As atividades serão ministradas pela professora Virgínia Fontes, que atua na pós-graduação em História da Universidade Federal Fluminense (UFF).
A professora Amali Mussi, reitora da Universidade Estadual de Feira de Santana em entrevista ao Dia a Dia News, destacou sua satisfação com o tema da aula magna:
“O tema da aula magna para a abertura do semestre 2026.1 foi definido pela Associação dos Docentes. A escolha recaiu sobre a reforma administrativa, um assunto relevante e atual, considerando sua tramitação nos conselhos e no Congresso. O objetivo é promover reflexões sobre os impactos da reforma administrativa nas carreiras administrativa, técnica e docente, abrangendo todas as categorias de trabalhadores no Brasil.”
Ela continua:
“A aula magna, com início às 9h, abordou a questão da reforma administrativa e apresentou um tema de grande relevância, buscando oferecer uma análise atualizada, tanto para os novos alunos quanto para aqueles que já fazem parte da instituição. A aula magna é aberta a todos os estudantes, incluindo alunos de graduação e pós-graduação, ingressantes e veteranos. Contamos também com uma apresentação cultural da cantora Lua Maria, proporcionando um momento artístico enriquecedor. A palestra, que se estendeu até as 12h, foi fundamental e instigante. Após a apresentação da professora, abrimos espaço para perguntas, algo incomum em aulas magnas, pois consideramos o debate essencial diante do interesse do público.”
Sobre o evento, esclareceu:
“Uma boa notícia é que teremos uma roda de conversa com a professora Maria Virgínia Fontes hoje, às 19h, no nosso CTA. Convidamos todos os interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre a temática, que afeta a todos nós, a comparecer. A universidade estará de portas abertas para receber a comunidade.”
Em relação às expectativas para o início das atividades da universidade, disse:
“O clima na universidade é excelente. Estamos finalizando o processo de matrículas, com as salas praticamente lotadas, indicando um grande sucesso.”
Amali também fez um convite:
“Em maio, teremos o primeiro congresso da universidade, que acontecerá de 4 a 7 de maio. A procura está maravilhosa. Estamos celebrando os 70 anos da universidade. Serão dois grandes grupos de trabalho, totalizando 72 temáticas a serem desenvolvidas durante esses dias, nos turnos da manhã, tarde e noite, em nossa universidade. Depois disso, teremos as comemorações nos dias 27, 28, 29 e 31, incluindo programação durante todo o domingo.”
Sobre os recursos para pesquisas na universidade, relatou:
“No ano passado, a Universidade Estadual de Feira de Santana participou de editais da Finep e de outras agências de fomento. Com isso, conseguimos captar cerca de 50 milhões de reais para pesquisas na instituição. Estamos desenvolvendo a pesquisa com muita força. Claro que ainda não é o suficiente, porque realizar pesquisa no Brasil é muito caro e exige investimentos constantes. Ainda assim, é uma das coisas que as universidades fazem de melhor. Hoje contamos com mais de 500 grupos de pesquisa — ao todo, são 504 grupos atuando ativamente em diferentes áreas do conhecimento.”
A professora conclui:
“Inclusive, a 19ª Jornada de Extensão da universidade foi algo muito bonito. Encerramos a jornada com a apresentação de mais de 200 projetos e programas de extensão. Finalizamos na praça, com uma interação maravilhosa com a comunidade, mostrando e prestando contas do nosso trabalho, porque a universidade precisa estar próxima da sociedade.”
A palestrante Maria Virgínia Gomes de Mattos Fontes afirmou se sentir honrada por ter sido convidada para ministrar a aula magna, especialmente sobre um tema que se relaciona com a área sindical, essencial para estabelecer estratégias de defesa diante dos recorrentes ataques à organização dos trabalhadores.
“A discussão sobre a reforma universitária, portanto, será precedida por uma contextualização das condições da crise ambiental que enfrentamos e da crise nacional, agravada por um imperialismo agressivo que desmantela nações. Destacarei a importância de defendermos uma universidade pública nacional, com atuação abrangente e capaz de enfrentar, de forma única, os desafios populares na produção do conhecimento. Não se trata apenas de formar cientistas a serviço das grandes empresas e do capital.”
Ela finaliza:
“Este é o cerne da luta contra a reforma administrativa, que busca desestruturar as bases da universidade pública federal, estadual e municipal em todo o país.”
Escrita pela estagiária:Fernanda Martins, com informações:Miro Nascimento. Foto:Divulgação