A implantação da Urna Eletrônica representou um dos maiores avanços do sistema eleitoral brasileiro nas últimas décadas, ao garantir mais agilidade, transparência e segurança no processo de votação. A avaliação é do presidente da 155ª Zona Eleitoral de Feira de Santana, Danilo Pereira, que acompanha de perto a evolução da tecnologia desde a sua implantação.
Segundo ele, a adoção da urna eletrônica, iniciada nas eleições municipais de 1996, ocorreu após um amplo processo de modernização da Justiça Eleitoral, que precisou informatizar todo o cadastro dos eleitores antes da chegada do novo equipamento.
“Antigamente o título de eleitor era feito em papel e datilografado. A Justiça Eleitoral precisou primeiro digitalizar todo esse cadastro para que os dados pudessem ser inseridos na urna”, explicou.
De acordo com Danilo Pereira, o novo sistema surgiu em um período em que o país enfrentava sérios problemas relacionados a fraudes eleitorais, como votos de eleitores inexistentes, manipulação de cédulas e dificuldades na apuração manual dos resultados.
“A urna veio justamente para resolver esses problemas. No voto em papel havia muita confusão na apuração e questionamentos sobre a origem de determinados votos. Com o sistema eletrônico, o voto depositado é exatamente o voto apurado”, destacou.
Primeiras urnas eram maiores e mais lentas
Nas primeiras experiências com votação eletrônica na Bahia, apenas Salvador e Feira de Santana utilizaram o equipamento. Na época, as urnas eram grandes, pesadas e possuíam tecnologia bem mais limitada do que os modelos atuais.
“Elas eram bem maiores, mais lentas e tinham impressoras matriciais. O voto ainda era impresso e guardado em uma urna de plástico acoplada ao equipamento. Depois, os dados eram retirados por meio de disquetes para a totalização”, lembrou.
Apesar das limitações iniciais e das dificuldades técnicas registradas naquele primeiro momento, o sistema já demonstrava avanços importantes em relação ao modelo tradicional.
Evolução tecnológica
Com o passar dos anos, a tecnologia foi sendo aprimorada e hoje as urnas contam com recursos mais modernos, como telas sensíveis ao toque, sistemas de acessibilidade e maior capacidade de processamento.
Atualmente, os equipamentos permitem a identificação do eleitor por biometria, exibem a foto dos candidatos e oferecem suporte de áudio para eleitores com deficiência visual.
Outra característica destacada pelo presidente da zona eleitoral é o fato de o equipamento não possuir conexão com redes externas. “A urna não tem Wi-Fi, não tem Bluetooth e não acessa a internet. Isso é proposital, justamente para impedir qualquer tipo de acesso externo”, afirmou.
Armazenamento e manutenção
Após o término de cada eleição, as urnas permanecem lacradas e armazenadas em depósitos da Justiça Eleitoral até que todos os processos judiciais relacionados ao pleito sejam julgados.
Somente depois desse período os equipamentos passam por manutenção e preparação para a eleição seguinte.
Na Bahia, existem depósitos em diferentes cidades, incluindo Salvador e Feira de Santana, onde técnicos realizam testes constantes nos equipamentos para garantir que estejam em pleno funcionamento.
“O sistema testa todos os componentes da urna, como teclado, visor e softwares. Assim, no dia da eleição temos a certeza de que o equipamento está pronto para ser utilizado”, explicou.
Equipamentos têm vida útil definida
O Tribunal Superior Eleitoral estabelece uma política de substituição periódica das urnas eletrônicas, geralmente a cada dez anos.
Mesmo assim, segundo Danilo Pereira, equipamentos mais antigos continuam apresentando bom desempenho após manutenção adequada.
“A manutenção constante garante que essas urnas continuem funcionando com segurança. Muitas vezes elas são muito estáveis e cumprem perfeitamente o papel no processo eleitoral”, disse.
Rapidez na divulgação dos resultados
Outra vantagem da votação eletrônica é a agilidade na apuração. Enquanto no passado a contagem de votos podia levar vários dias, hoje os resultados são divulgados poucas horas após o encerramento da votação.
Isso ocorre porque o próprio equipamento gera o boletim de urna, documento que apresenta o número de votos obtidos por cada candidato logo após o fechamento da sessão eleitoral.
“Antes a apuração era manual e demorava muito. Hoje, em poucas horas já é possível conhecer o resultado da eleição”, afirmou.
Sistema considerado referência
Para a Justiça Eleitoral, o modelo brasileiro é considerado um dos mais avançados do mundo. O sistema é totalmente eletrônico e passa por auditorias e verificações realizadas por diferentes instituições.
Entre elas estão a Ordem dos Advogados do Brasil e o Ministério Público, que acompanham processos de verificação e transparência do sistema.
“Nosso sistema eleitoral eletrônico não tem similar no mundo. Existem modelos parecidos, mas um sistema totalmente eletrônico como o brasileiro é único”, concluiu Danilo Pereira.