A Missa de Lava-Pés, celebrada na Quinta-feira Santa, marca um dos momentos mais simbólicos da tradição cristã durante a Semana Santa. A cerimônia relembra o gesto de Jesus Cristo, que, segundo a tradição bíblica, lavou os pés de seus discípulos durante a Última Ceia, como forma de ensinar sobre humildade e serviço ao próximo.
Igreja-mãe da Arquidiocese, a Catedral Metropolitana de Sant’Ana recebeu um grande número de fiéis para a tradicional missa, presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom Zanoni Demettino Castro.
Em entrevista à reportagem do Dia a Dia News, Dom Zanoni descreveu o início do Tríduo Pascal com a celebração da Ceia do Senhor, destacando a instituição da Eucaristia, do sacerdócio e do serviço:
“Com a celebração da Ceia do Senhor, damos início ao Tríduo Pascal, o coração da fé cristã, o ponto culminante do ano litúrgico. Este é um momento de grande significado, que recorda a instituição da Eucaristia, a instituição do sacerdócio cristão, o ministério ordenado, o serviço da caridade e o gesto do lava-pés. Esta celebração nos permite compreender a profundidade deste dia inaugural do Tríduo Pascal. Celebramos a Eucaristia, realizamos o lava-pés e, ao final da missa, procedemos à transladação do Santíssimo Sacramento, retirando-o do altar principal. Ao longo deste dia e até a Vigília Pascal, grupos e movimentos religiosos conduzirão momentos de adoração e oração.”
Em relação à seleção das pessoas que participam do lava-pés, afirmou:
“A seleção das pessoas que participam do lava-pés é organizada pela pastoral, buscando representar a diversidade da comunidade e atender às necessidades específicas.”
Ele concluiu deixando uma mensagem:
“A todos que acompanham esta celebração e participarão das próximas, deixo a seguinte mensagem: somos chamados a seguir os passos de Jesus, percorrendo a via-sacra, que é também a via-sacra de toda a humanidade. O que celebramos não é um rito do passado, mas a presença viva de Jesus, que ainda hoje é crucificado, rejeitado e marginalizado. Jesus, que dedicou sua vida a fazer o bem, embora não tenha sido aceito por seus contemporâneos, é a resposta definitiva. A mensagem não reside na cruz, no sofrimento ou na morte, mas na vida, na vida plena. Uma vida que se estende a todos, sem exceção.”
Presente na missa, Ildete Miranda fez uma reflexão sobre a Quaresma:
“A conversão é um processo diário, especialmente durante este período de 40 dias. É um momento propício para dedicarmos mais atenção à nossa fé, pois a rotina diária muitas vezes nos afasta da reflexão. Considero estes 40 dias um tempo de pausa, dedicado à reflexão espiritual, culminando na Semana Santa, também conhecida como Semana Maior. Cada dia desta semana possui uma dinâmica e significado próprios. Hoje, celebramos a Missa do Lava-Pés, um gesto que simboliza a humildade e a disposição de servir ao próximo. A prática do lava-pés nos convida a servir aqueles que mais necessitam, oferecendo ajuda aos que se encontram em dificuldades. O gesto do bispo, por exemplo, é um ato simbólico que representa nosso desprendimento do ego e nossa dedicação ao serviço ao próximo.”
A Procissão do Fogaréu, realizada após a celebração da Quinta-feira Santa, é uma das manifestações mais tradicionais e simbólicas da Semana Santa. O cortejo relembra a perseguição e a prisão de Jesus Cristo, momentos que antecedem sua crucificação.
Participando da Procissão do Fogaréu, Kelly Brandão afirmou ser uma experiência emocionante:
“É sempre uma experiência emocionante e um marco significativo para nossa cidade. Por muitos anos, essa procissão foi exclusiva para homens; agora, as mulheres também podem participar. Este momento evoca a lembrança da busca de Jesus pelos soldados e, por isso, é sempre muito comovente.”
Rodrigo Matos, secretário de Saúde do município, fez uma reflexão sobre a procissão:
“É com imensa satisfação que celebramos este momento, um ato de fé que resgata a história de Sant’Ana. Como antigo provedor desta instituição e membro da irmandade da Santa Casa, sinto um profundo orgulho ao ver a Santa Casa e a Igreja manterem esta tradição, que transcende a mera celebração e se manifesta como um momento de profunda fé.”
Com informações e escrita pela estagiária:Fernanda Martins Fotos:Fernanda Martins/Aécio Jesus