A substituição de sirenes estridentes por música nas escolas estaduais da Bahia ganha força com a sanção da Lei nº 15.110 e evidencia uma mudança de cultura no ambiente escolar, pautada por cuidado, inclusão e bem-estar. A iniciativa, que já vinha sendo orientada pela Secretaria da Educação do Estado (SEC), por meio da Coordenação da Educação Especial na Perspectiva Inclusiva, busca garantir conforto auditivo e favorecer a permanência e a aprendizagem dos estudantes, especialmente aqueles com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A reportagem do Dia a Dia News, conversou com Ítalo Ferreira, Diretor do Núcleo Territorial de Educação, Portal do Sertão que explicou sobre a substituição:

“É com satisfação que abordamos a substituição das sirenes por música, A legislação, em consonância com o tratamento específico a estudantes com Transtorno do Espectro Autista e outras necessidades, visa garantir o bem-estar dos alunos. Desde o final do ano passado, iniciamos o lançamento de um documento curricular referencial da Bahia, que traz diretrizes curriculares específicas para a educação especial. Muitas escolas já adotaram essa prática, e com a lei, intensificaremos o processo em todo o Portal do Sertão, buscando adaptações e adequações. As novas unidades escolares, como as de tempo integral, já nascem com sistema de sonorização para comunicação, incluindo os intervalos, de forma menos agressiva.”
Ele destacou a importância da inclusão:
“Trata-se de práticas pedagógicas inovadoras, que visam uma educação inclusiva. Em Feira de Santana, por exemplo, a iniciativa engloba 138 unidades escolares, além de anexos, representando o segundo maior território do estado. A mudança não é abrupta, mas sim um processo de inovação que considera as especificidades de cada estudante. A aceitação por parte dos alunos, inclusive aqueles sem deficiência, é notável, fortalecendo os laços pedagógicos e o sentimento de pertencimento. A Lei 15.110, fruto de um processo de escuta e compreensão, reconhece que a inclusão escolar é fundamental.”
Ítalo explicou que a lei se baseia em dados concretos:
“Estudos indicaram que mais de 55% dos estudantes com Transtorno do Espectro Autista eram impactados pelas sirenes. A escola, evolui constantemente para atender às necessidades dos alunos. Anteriormente, a formação era focada no conteúdo, mas hoje buscamos uma formação integral, considerando as necessidades culturais, artísticas, educacionais e acadêmicas de cada aluno, formando cidadãos completos. As escolas têm trabalhado nesse sentido, fortalecidas por políticas educacionais governamentais, como o regime de colaboração com os municípios, que tem impulsionado a alfabetização, com um crescimento de 19%.”
Finalizando, Ítalo mencionou a iniciativa de disponibilizar tablets aos estudantes da rede estadual, com acesso a obras literárias.
“Começamos pelo primeiro ano do ensino médio e já avançamos para o primeiro e segundo anos. O objetivo é diversificar as possibilidades de aprendizagem, oferecendo recursos além do material didático físico, e garantir um acesso seguro à informação, combatendo a desinformação. Queremos que os estudantes aprendam a diferenciar fatos de opiniões, algo crucial no combate às fake news.”
Com informações:Miro Nascimento, Foto:Divulgação
