Por Cristiano Alves
Por mais mecanismos que sejam criados para tentar estabilizar o sistema administrativo e financeiro dos clubes do futebol nacional, os velhos hábitos persistem e a verdade é que a roda viva do futebol persiste com medidas rasteiras quem em nada remetem a uma esperança de evolução e ao contrário de outras épocas, o processo de inversão de valores está cada vez maior.
Um grande exemplo disso é a quantidade de treinadores demitidos em 10 rodadas do Campeonato Brasileiro da Série A, mantendo uma nefasta cultura de que “é melhor mandar um embora do que o time inteiro”. Agora por que os dirigentes não se apegam a real raiz do problema? A resposta é objetiva: a esmagadora maioria dos dirigentes é despreparada, incompetente e muitos sequer deveriam passar na porta das agremiações.
Como eles são os donos da grana e da verdade, apostam em convicções retrógradas e os trabalhos a longo prazo sequer entram no radar, pois, o mais importante é o imediatismo.
Este maldito imediatismo que faz com os dirigentes “metam os pés pelas mãos” e gestões que poderiam ser promissoras se transformaram em verdadeiros cavalos de Tróia.
Não à toa, os reflexos de toda esta “enxurrada” de erros são vistos a olho nu. Um bom exemplo disso é a grande quantidade de forasteiros nos times brasileiros: não que antes não existissem, mas é a clara evidência do desinteresse das agremiações em fazer trabalho de base para revelarem novos talentos para o esporte.
Falando em desinteresse é notória a inversão de papeis, com os clubes importando treinadores. Será que os brasileiros desaprenderam? Não! A clara resposta disso é que mesmo os técnicos estrangeiros ficam à mercê do imediatismo: se os resultados positivos acontecem, tudo ok. Do contrário, entram na roda-viva das demissões. Um exemplo foi o Botafogo que contratou o argentino Martín Anselmi, em substituição ao italiano Davide Ancelotti que é filho do Carlo, treinador da Seleção Brasileira. Agora o time aposta as suas fichas, no português Franclim Carvalho, que foi auxiliar de Arthur Jorge na vitoriosa campanha de 2024 que terminou com o título brasileiro e o da Copa Libertadores da América.
Por sinal, Arthur Jorge retornou ao Brasil para treinar o Cruzeiro, mas até agora os resultados da Raposa não estão bons: o time enfrenta um início de Campeonato Brasileiro 2026 desafiador, com apenas 7 pontos após dez rodadas, marcando sua pior campanha nesta fase na era dos pontos corridos. Será que se os resultados negativos persistirem ele resistirá?
Independente da sequência e do desfecho, a grande verdade é que para qualquer mecanismo realmente acontecer, antes de qualquer coisa, em termos do Brasil, se faz necessária uma mudança cultural, para a partir daí se pensar em novas alternativas.