A Santa Casa de Feira de Santana realizou, nesta quarta-feira (22), a primeira cirurgia de reabilitação fonatória com a implantação de uma prótese que permite a pacientes acometidos por câncer de laringe, submetidos à laringectomia total, voltarem a falar. Este é o primeiro procedimento do tipo realizado pelo SUS no interior da Bahia.
Durante a cirurgia, a equipe médica implantou uma prótese traqueoesofágica para reabilitação da fonação de um paciente que, em decorrência do câncer, havia sido submetido à retirada total da laringe — órgão responsável pela voz. O procedimento possibilitou a recuperação da fala, ferramenta essencial para a comunicação e a reintegração social.
A cirurgia foi realizada pelos cirurgiões de cabeça e pescoço Leonardo Rios e Mariana Cedro, que também é otorrinolaringologista.
O Dr. Leonardo Rios, coordenador do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Santa Casa, destacou, em entrevista ao Dia a Dia News, a importância do procedimento:
“Na Santa Casa de Misericórdia de Feira de Santana, contamos com o setor UNACON, a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, onde realizamos tanto o diagnóstico quanto o tratamento oncológico. Demos um passo importante na reabilitação. Tão fundamental quanto a cura ou a remoção do tumor maligno, é reabilitar e reintegrar o paciente à sociedade.”
Sobre o caso, ele explicou:
“O paciente foi diagnosticado com câncer de laringe e, em outubro do ano passado, precisou passar pela retirada total da laringe, a chamada ‘caixa de voz’, o que resultou na perda da fala. Essa condição impacta diretamente a comunicação e também a identidade do indivíduo, dificultando sua interação social.”
Ao detalhar o procedimento, o médico acrescentou:
“Graças a uma portaria do Ministério da Saúde, conseguimos realizar, pelo SUS, o implante de uma prótese fonatória. Trata-se de um dispositivo inserido na traqueia, em comunicação com o esôfago, que possibilita a recuperação da fala.”
Ele também explicou como funciona o processo de reabilitação:
“O mecanismo de produção da voz muda completamente. Antes, a fonação ocorria com a passagem de ar pela boca. Com a prótese, o paciente precisa passar por um processo de reabilitação com o acompanhamento de um fonoaudiólogo.”
Por fim, o médico concluiu:
“O fonoaudiólogo será responsável por conduzir um treinamento específico, já que o paciente precisará reaprender a falar. A voz não será exatamente como antes e exigirá adaptação. Além disso, ele ficou cerca de seis meses sem falar, o que demanda um reaprendizado motor, envolvendo o controle do diafragma e da musculatura respiratória. Trata-se de um processo gradual de fonoterapia, mas, com o tempo, ele poderá voltar a se comunicar. No Brasil e em outros países, inclusive, há corais formados por pessoas que passaram por esse tipo de procedimento e utilizam próteses ou outras técnicas de reabilitação vocal.”
Com informações:Assessoria/ Fernanda Martins Foto:Fernanda Martins
