Um terreiro de umbanda tradicional de Guanambi, no sudoeste baiano, foi alvo de um episódio de intolerância religiosa após ter a fachada pichada com símbolos associados ao nazismo. As imagens do local vandalizado começaram a circular nas redes sociais na quinta-feira (23) e provocaram indignação entre moradores e lideranças locais.
O espaço atingido é o Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro, que possui quase 80 anos de atuação na cidade. De acordo com representantes da instituição, o local vem enfrentando uma sequência de ataques nos últimos meses.
Segundo o vice-presidente do centro, Joel das Neves da Silva, o imóvel já foi alvo de invasões e depredações ao longo do último ano. Nesse período, o terreiro teria sido arrombado pelo menos seis vezes.
Entre os prejuízos relatados estão a destruição de imagens religiosas, documentos rasgados e o furto de itens utilizados nas atividades do espaço, como velas e alimentos destinados aos rituais.
Caso mais recente
O episódio mais recente ocorreu no sábado (18), quando responsáveis pelo local encontraram a fachada do imóvel pichada. Diferentemente das ocorrências anteriores, desta vez não houve registro de invasão ao interior do espaço.
A repercussão do caso nas redes sociais ampliou o debate sobre intolerância religiosa. O advogado da instituição, Eunadson Donato, informou que tentou formalizar a denúncia às autoridades. Apesar disso, a Polícia Civil da Bahia declarou não ter localizado, até o momento, registro oficial da ocorrência.
No Brasil, a utilização ou divulgação de símbolos ligados ao nazismo é considerada crime e pode resultar em pena de até cinco anos de prisão, conforme prevê a legislação.
Em nota, a Prefeitura de Guanambi classificou o episódio como um ato de ódio e destacou que manifestações de intolerância religiosa e racismo violam princípios fundamentais da convivência social.
A Ordem dos Advogados do Brasil, por meio da subseção local, também se manifestou sobre o caso. A entidade repudiou o ataque e afirmou que a situação representa uma violação de direitos fundamentais, como a liberdade de crença, além de evidenciar a discriminação histórica enfrentada por religiões de matriz africana.
