Início » Fibromialgia afeta corpo; mente e exige acolhimento, cuidado psicológico e respeito aos limites, alerta especialista

Fibromialgia afeta corpo; mente e exige acolhimento, cuidado psicológico e respeito aos limites, alerta especialista

0 comentários

Em meio ao feriado do Dia do Trabalhador, quando muitas pessoas aproveitam para descansar e desacelerar a rotina, especialistas chamam atenção para uma reflexão importante: o descanso não é privilégio, mas necessidade, especialmente para quem convive com condições crônicas como a fibromialgia.

Em entrevista ao Dia a Dia News, a psicóloga Patrícia Barros explicou como a fibromialgia impacta não apenas o corpo, mas também a saúde mental, as relações sociais e a qualidade de vida dos pacientes. Durante a conversa, a especialista destacou a importância do acolhimento, do acompanhamento psicológico e da construção de uma nova relação com os próprios limites.

O que é a fibromialgia

A fibromialgia é uma condição clínica crônica caracterizada por dores musculares generalizadas, fadiga intensa e alterações neurológicas relacionadas à forma como o cérebro interpreta os estímulos dolorosos.

Segundo Patrícia Barros, um dos maiores equívocos sobre a síndrome é associá-la exclusivamente a processos inflamatórios.

Patrícia Barros | Foto: Arquivo Pessoal

“A fibromialgia não é uma inflamação. Trata-se de uma alteração no processamento da dor. O cérebro do paciente se torna hiper-reativo aos estímulos sensoriais, amplificando sensações dolorosas.”

Além das dores persistentes, a condição costuma estar associada a sintomas como distúrbios do sono, lapsos de memória, dificuldade de concentração e sensação constante de exaustão física e mental.

O impacto psicológico da dor invisível

Para a psicóloga, um dos efeitos mais delicados da fibromialgia está no campo emocional.

Conviver diariamente com dor crônica pode comprometer a autoestima, gerar frustração e provocar uma sensação de perda da própria identidade.

“A pessoa passa a não conseguir realizar atividades que antes faziam parte da sua rotina. Isso gera impotência, tristeza e, muitas vezes, isolamento.”

A especialista explica que, quando o sofrimento se torna contínuo, o desgaste emocional passa a ser inevitável, afetando também a forma como o paciente se percebe e se relaciona com o mundo.

Relação entre fibromialgia, ansiedade e depressão

Durante a entrevista ao Dia a Dia News, Patrícia Barros destacou que existe uma relação direta entre fibromialgia e transtornos emocionais.

Embora a síndrome não tenha origem psicológica, fatores como estresse prolongado e sobrecarga emocional podem contribuir para o agravamento do quadro.

“O estresse crônico pode funcionar como gatilho. Ao mesmo tempo, viver com dor constante aumenta significativamente o risco de desenvolver ansiedade e depressão.”

Ela explica que isso acontece porque o cérebro utiliza circuitos semelhantes para processar dor física e dor emocional.

“Quando estamos emocionalmente abalados, nosso corpo libera substâncias que sensibilizam ainda mais o sistema nervoso, intensificando a percepção da dor.”

Quando a falta de compreensão agrava o sofrimento

Outro ponto destacado pela psicóloga foi a dificuldade enfrentada por muitos pacientes em serem compreendidos.

Como a fibromialgia não apresenta sinais visíveis na maioria dos casos, muitas pessoas convivem com julgamentos, descrédito e incompreensão.

“A invalidação do sofrimento gera um peso emocional enorme. O paciente muitas vezes sente que precisa provar o tempo todo que está doente.”

Segundo Patrícia, essa pressão amplia o estresse e pode intensificar ainda mais as crises.

O papel essencial do acolhimento familiar

Se a incompreensão agrava o sofrimento, o acolhimento atua como parte do tratamento.

A psicóloga ressalta que o apoio da família e da rede social faz diferença direta na qualidade de vida de quem convive com a síndrome.

“Quando a dor é reconhecida e acolhida, o paciente consegue direcionar energia para o cuidado e para a recuperação, em vez de gastá-la tentando se justificar.”

Sono ruim e agravamento das dores

A qualidade do sono também foi apontada como fator decisivo.

Pessoas com fibromialgia frequentemente relatam acordar cansadas, como se não tivessem descansado.

“O sono costuma não ser reparador. Sem um descanso profundo, o cérebro não regula adequadamente o humor nem consegue restaurar funções essenciais.”

Esse processo cria um ciclo contínuo: a dor prejudica o sono, a falta de sono aumenta o cansaço e o desgaste emocional, o que, por sua vez, intensifica a dor.

Estratégias psicológicas para lidar com a condição

Entre as abordagens terapêuticas, Patrícia Barros destacou práticas que ajudam o paciente a desenvolver melhor manejo emocional diante da dor crônica.

Entre elas estão:

  • mindfulness (atenção plena);
  • reestruturação cognitiva;
  • manejo de expectativas;
  • reorganização da rotina;
  • desenvolvimento da autocompaixão.

“O paciente precisa aprender que respeitar seus limites não é desistir. É reconhecer uma nova forma de funcionamento do corpo.”

Existe um perfil mais vulnerável?

Segundo a especialista, algumas características emocionais podem favorecer o agravamento da fibromialgia.

Pessoas muito perfeccionistas, centralizadoras, com dificuldade para delegar tarefas e expressar sentimentos tendem a acumular tensão interna.

“Essa rigidez emocional e a autocobrança excessiva podem aumentar a sensibilidade do sistema nervoso.”

Descansar também é tratamento

A psicóloga fez questão de reforçar que pausas, lazer e descanso não devem ser vistos como improdutividade.

“O lazer estimula a liberação de endorfina e dopamina, substâncias que funcionam como analgésicos naturais.”

Ela defende que o equilíbrio está na substituição da produtividade máxima pela produtividade possível.

“Respeitar o limite do corpo hoje é o que permitirá continuidade amanhã.”

O alerta final da especialista

Ao encerrar a entrevista ao Dia a Dia News, Patrícia Barros deixou uma orientação direta para quem convive com dores constantes e ainda não procurou ajuda.

“Não carregue esse peso sozinho. A dor pode ser invisível, mas o sofrimento não precisa ser silencioso.”

A especialista também aproveitou a data para reforçar a importância do autocuidado.

“Neste Dia do Trabalhador, honre quem mais se esforça para manter você de pé: você mesmo. Descansar também é um ato de responsabilidade com a própria saúde.”

Todos os Direitos Reservados. Produzido por  Alcance Marketing Digital