O elevado número de acidentes de trânsito continua gerando impactos significativos para a saúde pública em Feira de Santana. O cenário tem provocado superlotação no Hospital Geral Clériston Andrade e acende um alerta para a necessidade de maior conscientização da população sobre práticas seguras no trânsito.
De acordo com a diretora-geral da unidade, Cristiana França, os dados atuais revelam a dimensão do problema enfrentado diariamente pelo hospital.
“Para se ter uma ideia, de cada dez pacientes que entram no hospital hoje, entre sete e oito são decorrentes de acidentes de trânsito. É uma taxa muito alta.”
Os acidentes envolvendo motocicletas representam a maior parte das ocorrências atendidas pela unidade. Segundo a gestora, entre 70% e 75% dos casos registrados no hospital estão relacionados a veículos de duas rodas.
“A maior incidência é com motocicletas. E cada vez mais os traumas e as fraturas chegam de forma muito grave.”
A gravidade dos atendimentos chama atenção não apenas pelo número, mas também pelo perfil das vítimas. Grande parte dos pacientes está na faixa etária entre 15 e 45 anos, considerada a fase mais produtiva da vida.
“Quando esse paciente não morre, normalmente ele fica sequelado para o resto da vida. E o pior é que isso acontece justamente na idade produtiva dessas pessoas.”
Além das consequências humanas, o alto volume de atendimentos gera reflexos diretos no funcionamento do hospital. A ocupação elevada compromete a capacidade de receber outros pacientes e impacta toda a rede estadual de regulação.
“Se a gente tivesse menos acidentes, quantos outros pacientes poderiam estar sendo atendidos? Quando o hospital está tensionado por esses casos, outros pacientes acabam deixando de entrar.”
Outro ponto destacado por Cristiana França é o peso financeiro desses atendimentos para o Sistema Único de Saúde. Procedimentos ortopédicos complexos, cirurgias, além da utilização de órteses e próteses de alto custo, exigem investimentos elevados.
“A saúde não tem preço, mas tem custo. Muitos recursos que poderiam estar sendo investidos na melhoria dos serviços acabam sendo destinados ao atendimento dessas ocorrências.”
Diante desse cenário, a diretora reforça a importância da prevenção como principal caminho para reduzir os índices de acidentes.
“A gente precisa contar com a colaboração de todos que pilotam e dirigem para que façam esse processo de prevenção. Só assim vamos conseguir ter um trânsito mais tranquilo e mais seguro.”
O alerta reforça a necessidade de atitudes responsáveis por parte de motoristas e motociclistas, como o respeito à sinalização, uso adequado dos equipamentos de segurança e atenção redobrada nas vias, medidas essenciais para preservar vidas e reduzir a pressão sobre o sistema de saúde.
