O empreendedorismo tem se consolidado como uma das principais alternativas para geração de renda e transformação econômica em Feira de Santana e em toda a Bahia. Seja impulsionado pela necessidade diante das dificuldades do mercado formal ou motivado por vocação e desejo de independência financeira, abrir o próprio negócio tem se tornado uma escolha cada vez mais frequente entre os brasileiros.
Mas, segundo o representante do SEBRAE, Renato Lisboa, empreender vai muito além de abrir as portas de uma empresa. O verdadeiro desafio está na permanência e no fortalecimento do negócio no mercado.
Em entrevista ao programa Dia Dia News, da Rádio Sociedade, Renato destacou que a preparação prévia, o planejamento estratégico e a capacitação contínua são fatores indispensáveis para quem deseja transformar uma ideia em uma empresa sustentável.
Empreender por necessidade ou por vocação?
De acordo com Renato Lisboa, existem diferentes perfis de empreendedores. Há aqueles que ingressam no universo dos negócios por necessidade, muitas vezes após deixarem o emprego formal, e há os que já possuem perfil empreendedor e enxergam no mercado uma oportunidade de crescimento.
“O empreendedorismo nasce de diferentes contextos. Há pessoas que encontram nele uma saída diante de dificuldades econômicas, mas também há quem identifique uma oportunidade, tenha vocação e construa um projeto sólido”, afirmou.

Segundo ele, embora o empreendedorismo por necessidade ainda exista com força no cenário nacional, o crescimento mais recente tem sido puxado por pessoas que optam conscientemente por empreender, muitas vezes após experiência no mercado formal.
“Felizmente temos percebido um aumento do empreendedorismo por vocação. São pessoas que se planejam, estudam o mercado e decidem construir seu negócio com mais estratégia.”
O erro mais comum: abrir primeiro, planejar depois
Um dos principais alertas feitos pelo especialista diz respeito à inversão de etapas no processo de abertura de uma empresa.
Para ele, muitos empreendedores começam pelo caminho errado: montam a estrutura física, investem recursos e só depois tentam descobrir quem será o cliente.
“O primeiro questionamento precisa ser: para quem vou vender? Quem é meu público? Qual problema estou resolvendo? Só depois disso vem a estruturação do negócio.”
Renato enfatiza que abrir formalmente uma empresa não é, necessariamente, a parte mais difícil. O verdadeiro desafio é construir bases sólidas para garantir permanência e competitividade.
“Colocar um negócio para funcionar é relativamente simples. Difícil é mantê-lo vivo no mercado.”
Setor de serviços lidera crescimento em Feira de Santana
Ao analisar o cenário local, Renato aponta o setor de serviços como o segmento de maior expansão em Feira de Santana.
A tendência acompanha o movimento observado em todo o país, impulsionado principalmente pela transformação digital e pela mudança no comportamento de consumo.
“O setor de serviços vem crescendo muito em Feira, na Bahia e no Brasil como um todo. É uma área extremamente dinâmica e cheia de oportunidades.”
Entre os fatores que impulsionam esse crescimento está a facilidade de entrada em diversos nichos, especialmente aqueles que dependem mais de conhecimento técnico e relacionamento com o cliente do que de grandes estruturas físicas.
Redes sociais mudaram a lógica das vendas
Outro ponto destacado durante a entrevista foi o impacto das redes sociais e do comércio eletrônico no fortalecimento dos pequenos negócios.
Para Renato, a presença digital deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade.
“O consumidor visita a loja física, conhece o produto, mas muitas vezes pesquisa e compara online antes de comprar. O empreendedor precisa estar preparado para isso.”
Ele reforça que o comércio tradicional não tende a desaparecer, mas precisa se adaptar a uma nova lógica de mercado, em que o físico e o digital caminham juntos.
A atuação em marketplaces, vendas por redes sociais e estratégias de relacionamento digital têm ampliado as possibilidades para pequenos empreendedores.
Gestão financeira: faturar não significa lucrar
Um dos trechos mais enfáticos da entrevista tratou da administração financeira.
Renato explicou que muitos empreendedores concentram atenção apenas no faturamento e negligenciam o fluxo de caixa, fator determinante para a saúde financeira do negócio.
“O faturamento é importante, o lucro também. Mas caixa é essencial.”
Ele exemplifica com situações comuns em que empresários compram mercadorias com prazos curtos e vendem parcelado em muitas vezes, criando um desequilíbrio entre entradas e saídas.
Esse desencontro pode comprometer o pagamento de fornecedores, salários, impostos e despesas operacionais.
“Sem uma gestão eficiente de caixa, a empresa pode até vender bem, mas ainda assim enfrentar dificuldades graves.”
Os primeiros anos são os mais delicados
Renato comparou o início da vida empresarial ao desenvolvimento de uma criança.
Segundo ele, os primeiros dois ou três anos exigem atenção redobrada, acompanhamento próximo e decisões estratégicas bem fundamentadas.
“Uma empresa, como uma criança, precisa de cuidados especiais nos primeiros anos para se desenvolver com saúde.”
Ele também destacou que todo negócio possui ciclos naturais de crescimento, estabilidade e possível retração.
Quando o empreendedor não acompanha esses movimentos e não promove ajustes, a tendência é o enfraquecimento da empresa.
“Muitos negócios fecham porque não entendem o próprio ciclo de vida.”
Crédito exige estratégia
Ao abordar financiamento empresarial, Renato fez um alerta importante: buscar crédito sem organização financeira pode agravar problemas em vez de solucioná-los.
Ele recomenda que o empreendedor preserve parte dos recursos próprios como capital de giro e utilize linhas de crédito específicas para investimento estrutural.
“Não é recomendável colocar todo o recurso pessoal no negócio.”
Para ilustrar, utilizou uma metáfora didática:
“O crédito é como uma caixa d’água furada. Se você não fechar o vazamento, colocar mais água não resolve.”
Ou seja, antes de buscar financiamento, é necessário identificar falhas operacionais, desperdícios ou perdas financeiras.
Capacitação como diferencial competitivo
Renato reforçou que o acesso à informação e à qualificação pode fazer toda a diferença na trajetória empresarial.
O SEBRAE disponibiliza consultorias, oficinas, cursos presenciais e capacitações online voltadas ao pequeno empreendedor.
“O empresário precisa investir no próprio conhecimento para tomar decisões melhores.”
Além do atendimento presencial em Feira de Santana, os conteúdos podem ser acessados virtualmente por meio das plataformas de educação corporativa da instituição.
